Lula se confunde e troca o nome do presidente do Panamá

Episódio contribui para irritar presidente, contrariado com a repercussão de suas declarações na Jamaica

Denise Chrispim Marin, do Estadão,

10 de agosto de 2007 | 18h05

Ao discursar nesta sexta-feira, 10, ao receber a comenda general Omar Torrijos Herrera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se confundiu e chamou de "Alejandro" o atual presidente Panamenho, Martin Torrijos Espino. Lula agradeceu a homenagem duas vezes a "Alejandro" e apenas na última menção ao seu anfitrião corrigiu para "meu querido Martín Torrijos".  Veja também: A viagem de Lula pela América Latina    Na Jamaica, Lula critica política de FHC para o álcool'De álcool ele entende mais', rebate FHC a críticas de LulaTemporão lança campanha nacional contra bebidas alcoólicas O episódio contribuiu para irritar ainda mais o presidente, visivelmente cansado no quinto e último dia de sua viagem e contrariado com a repercussão de suas declarações na Jamaica.  Na última quinta-feira, Lula criticou a política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para o álcool por ter se mostrado "insensível" à retomada do projeto de produção o combustível no final dos anos 90 e de tratar os empresários do setor sucroalcooleiro como "marginais". Em resposta, FHC afirmou que de álcool, quem entende é Lula.  Ainda na viagem ao país, Lula teria feito propaganda da cachaça brasileira um dia antes de o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançar a Campanha Nacional de Prevenção dos Riscos do Consumo de Bebidas Alcoólicas. Temporão declarou, no entanto, que a propaganda de Lula à bebida no exterior não vai contra os eixos da campanha nacional.  Segundo sua assessoria de imprensa, Lula fora induzido ao erro pelo cerimonial do Palácio do Planalto, que trocara o nome do presidente Torrijos na nominata - a lista com os nomes das autoridades a serem mencionados na abertura de um discurso.  Horas depois, ao concluir a entrevista aos jornalistas, Lula mostrou-se impaciente com seus assessores. "Tem muita gente falando. Se só um falar, eu vou para o caminho certo", ao seguir em direção ao elevador do hotel em que estava hospedado.  Elogio a ditador O presidente elogiou efusivamente o pai do atual presidente panamenho, que deu nome à comenda que recebeu. Omar Torrijos governou entre 1968 e 1981 e acabou considerado o "líder máximo da revolução panamenha" depois de ter-se outorgado poderes absolutos em 1972. De caráter populista, seu governo foi intolerante com a oposição, que teve líderes presos, exilados e até mesmo assassinados.  Um dos casos mais rumorosos foi o seqüestro e desaparecimento do padre católico Héctor Gallego. Outros 200 casos de desaparecimento ainda esperam solução. O general Torrijos é reconhecido também por ter negociado o tratado que definiu a neutralidade do Canal do Panamá e que se tornou o pretexto para a invasão do país pelos Estados Unidos, em 1989. Lula qualificou o general Torrijos como "um dos mais importantes homens públicos do Panamá". "É uma pena que, com apenas 52 anos, em um desastre de avião, o povo do Panamá tenha perdido talvez seu mais extraordinário dirigente", afirmou. "Espero que, com essa condecoração, eu possa fazer um pouco pelo Brasil do que ele fez pelo Panamá."

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