Lula se compara a Jesus e ressalta 'momento mágico' do Brasil

Presidente diz que queria provar que 'um operário poderia governar este País melhor do que qualquer doutor'

Clarissa Oliveira, de O Estado de S. Paulo,

27 de setembro de 2008 | 18h45

Embalado pelos altos índices de popularidade do seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou-se neste sábado, 27, a Jesus Cristo ao discursar em Guarulhos, onde participa de comício do PT. Para uma platéia de cerca de 5 mil pessoas que endossavam a candidatura do petista Sebastião Almeida à prefeitura da cidade, o presidente disse que desde os tempos de dirigente sindical é alvo da críticas de seus adversários e acrescentou: "Me acusavam porque eu tinha barba. E esqueceram que Jesus Cristo também tinha barba."   Veja também:Brasil sentirá efeitos se EUA entrarem em recessão, admite Lula Voltando a afirmar que nunca se deu o direito de fracassar na Presidência, Lula rebateu as críticas recebidas por não ter formação universitária. "Inteligência é uma coisa que nasce dentro de nós", ressaltou. "E eu tinha o maior conhecimento que um político tem que ter. Eu tinha e tenho exatamente o sentimento da alma do povo brasileiro. Sei exatamente o que sentem as pessoas." Sem perder a chance de exaltar realizações de seu governo, Lula completou dizendo que um eventual fracasso de sua administração significaria o fim da idéia que sempre o norteou, a de que "um operário poderia governar este País melhor do que qualquer doutor".  Lula também repetiu a tese de que o Brasil vive "um momento mágico" sob seu comando, destacando, em especial, a geração de 1,8 milhão de empregos com carteira assinada de janeiro a agosto deste ano. "É mais do que quatro anos de outros governos."  O presidente também voltou a citar as sucessivas descobertas de petróleo na camada pré-sal e reiterou que o governo irá usar os recursos obtidos na exploração das reservas para melhorar a educação e a acabar com a pobreza no País. "Este povo sofreu por 500 anos e agora tenho o direito de olhar para o céu e agradecer". "Meus adversários torcem para as coisas não darem certo. Eita povinho que torce contra a gente".  O presidente disse ainda não estar totalmente satisfeito com a situação em que o País se encontra, mas prometeu continuar trabalhando em beneficio da população mais carente. Ele aproveitou para exaltar mais uma vez que sua administração não tem distribuído recursos com base em afinidades partidárias.  Voltando-se ao atual prefeito de Guarulhos Elói Pietá (PT), que minutos antes havia criticado o governo estadual, Lula afirmou: "pergunte ao governador de São Paulo, Elói, você que é amigo dele. Pergunte ao José Serra se ele recebeu do Fernando Henrique 10% do que eu passei para ele", disse, repetindo a mesma indagação em referência ao ex-governador Gerando Alckmin, que hoje disputa a prefeitura paulistana com a ex-ministra petista Marta Suplicy.  Durante o discurso de pouco mais de 20 minutos, Lula aproveitou para comemorar o fato de Sebastião Almeida também ter origem no movimento metalúrgico. Ao lembrar de sua própria atuação como dirigente sindical, Lula disse que "reclamava e chorava na porta de montadoras como a Volkswagen, que no início da década de 80 chegou a demitir cerca de 15 mil trabalhadores. "A gente reclamava e chorava e, de vez em quando, tomava uma 'dosezinha' com os companheiros para esquecer o sofrimento porque ninguém é de ferro", disse o presidente, destacando que hoje 700 mil postos de trabalho foram recuperados no setor metalúrgico.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaBrasilmomento

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.