Lula ressalta parceria entre Argélia e Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje à Argélia para uma visita oficial. Em entrevista por escrito à imprensa local, ele insistiu que a Argélia é um grande parceiro do Brasil no mundo em desenvolvimento, e que sua visita ao país tem o objetivo de estimular negócios pontuais, que precisam ganhar maior solidez em médio e longo prazos. O presidente destacou que é preciso que os dois países se conheçam melhor e que se observem como opções viáveis no mercado internacional. Ele disse que é possível aos dois países trabalharem em várias frentes. A primeira, na cooperação em diferentes áreas, como a agrícola, a social, o apoio a micro e pequenas empresas, e na informatização da administração pública. Outra frente seria a parceria entre as "duas gigantes petroleiras", a Petrobras e a argelina Sonatrach.Lula também lembrou outra parceria que, para o presidente, está fadada ao sucesso, entre o grupo argelino Cevital e as empresas brasileiras Randon e Neobuc, que fabricam veículos industriais. "Gostaria que empresas brasileiras se interessassem pela privatização ou pela abertura de capital de empresas argelinas, porque esse mercado está crescendo e constitui uma ponte para os mercados da África, do mundo árabe e, em especial, do Mediterrâneo e da Europa", disse.GlobalizaçãoO presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os governos de esquerda da América Latina tenham uma abordagem mais combativa no plano exterior, ao ser questionado, pela imprensa argelina, sobre como os novos governos de esquerda da região poderiam ajudar países em desenvolvimento a se esquivar das armadilhas da globalização.Na entrevista, o presidente ressaltou que a esquerda, que subiu ao poder na América Latina "não é irresponsável e sabe que tem que ser muito cuidadosa ao tratar tanto dos desafios internos, em seus países, quanto os desafios que nos vem da globalização". "Temos de ser realistas e lutar, não contra a globalização como Dom Quixote contra os moinhos de vento, mas para redefinir a geografia comercial e econômica mundial, de forma que nos beneficiemos também das possibilidades abertas pela globalização".O presidente destacou que a melhor articulação entre os países em desenvolvimento é o evento de atuação com o objetivo de fortalecer e valorizar parcerias. Para ilustrar essa teoria, Lula mencionou o grupo de países em desenvolvimento, o G20 liderado pelo Brasil e a Índia, que exige melhores resultados nas negociações sobre agricultura, na rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).Para Lula, o trabalho do G 20 é uma prova de que os países do Sul do planeta podem agir em favor de uma ordem econômica e política mais justa. "Por meio desse tipo de iniciativa, de grande realismo político, seremos capazes de participar mais ativamente do jogo internacional e sobretudo de mudá-lo a nosso favor", declarou Lula.O presidente ainda mencionou como exemplo dessa ação em favor da maior cooperação entre economias em desenvolvimento - a chamada cooperação sul-sul - a ação contra a fome e a pobreza do qual participam o Brasil e a Argélia - e foros mais pragmáticos, como a parceria entre Índia, Brasil e África do Sul. Também lembrou o processo de integração sul-americano a partir do Mercosul."A relação sul-sul não é apenas possível, como é necessária. O sul não é um conjunto amorfo de países subdesenvolvidos e dependentes, que nada têm a oferecer senão as matérias primas para países ricos", afirmou Lula. "Juntos podemos ser mais fortes e não apenas aumentar o nosso comércio, mas participar com mais força nos foros econômicos e políticos em que se discutem as grandes questões de interesse da humanidade como a OMC e a Organização das Nações Unidas", disse.O presidente assinalou que a cooperação sul-sul não substitui o movimento dos países não alinhados. Essa frente, segundo o presidente "continua sendo uma voz e uma força" em favor do desenvolvimento econômico e social, da democracia e dos direitos humanos.IrãO presidente afirmou ainda que o canal apropriado para o tratamento do problema nuclear do Irã é a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Lula destacou que prefere que se dê "todas as chances à diplomacia". Ele disse também que o Brasil privilegia o tratamento de questões internacionais pela via da negociação e do multilateralismo. "Queremos que se tentem todas as formas possíveis de resolver as pendências pacificamente, sem confrontações ou aumento de tensões", afirmou o presidente. Na semana passada o Brasil foi um dos países que apoiou o encaminhamento de uma resolução da AIEA sobre o programa nuclear do Irã, que seria enviada para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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