Lula responderá à Itália, mas não deve recuar no caso Battisti

Fala de porta-voz indica desagrado com revelação antecipada de carta

Leonencio Nossa e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responderá à carta enviada pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, com reclamações à decisão do governo brasileiro de conceder asilo político ao preso italiano Cesare Battisti, ex-integrante do grupo de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo, o PAC. Em meio à crise financeira, o aumento do desemprego e a disputa pelo comando do Senado, Lula considera a polêmica com Roma assunto encerrado, segundo avaliam pessoas próximas. Não há data para envio da resposta.Em entrevista na tarde de ontem, o porta-voz do Palácio do Planalto, Marcelo Baumbach, disse que só Napolitano poderá divulgar a carta em que Lula irá reafirmar que a decisão do governo brasileiro é soberana. A declaração de Baumbach foi uma forma de o Planalto reclamar oficialmente da divulgação da mensagem de Napolitano na manhã de sábado, antes de chegar às mãos de Lula, o que ocorreu na tarde do mesmo dia. "A decisão do governo é soberana e o governo não pretende antecipar o conteúdo dessa carta", disse Baumbach.Battisti ganhou na semana passada status de refugiado político. Ele está preso no Brasil desde 2007, quando foi detido pela Polícia Federal no Rio. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, pediu ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, parecer sobre a prisão do italiano. Em parecer enviado no ano passado ao STF, Souza defendeu a extradição. Battisti é acusado de ter cometidos crimes nos anos 70, período de guerra fria e luta armada no mundo.ROMADepois de Napolitano, ontem foi a fez de o presidente da Câmara italiana, Gianfranco Fini, se manifestar. Em carta ao colega brasileiro, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o parlamentar disse considerar "inaceitável" a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro. "A Câmara dos Deputados, assim como a opinião pública italiana, se mostra muito perplexa e desconcertada com o fato de, ao negar a extradição, o ministro da Justiça decidir conceder o status de refugiado, com motivação claramente inaceitável para um país profundamente democrático e de grande tradição jurídica", diz a carta, replicada ontem no site da agência de notícias italiana Ansa. "Gentil presidente, recorro à lei, à sua sensibilidade e à sua origem italiana para expressar a grande surpresa e forte pesar, um sentimento compartilhado por todas as forças políticas representadas na Câmara dos Deputados." Chinaglia disse que o Legislativo tem pouco a fazer. "Penso que (o caso) está no ambito devido. O Parlamento neste caso, no máximo, pode fazer uma informação de natureza política, o que pensa e o que não pensa. Mas, em período de recesso, com a pluralidade própria da Câmara, ninguém vai conseguir expressar uma opinião unânime."

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