Lúcio Távora/Agência A Tarde
Lúcio Távora/Agência A Tarde

Dilma faz apelo ao PT por apoio ao ajuste fiscal e afirma que ‘não mudou de lado’

Na abertura do 5º encontro nacional petista, em Salvador, presidente diz que precisa da sigla para aprovar as medidas de reequilíbrio financeiro; Lula ignora as citações ao seu instituto nas investigações da Lava Jato e retoma ataques à imprensa

Vera Rosa, Ricardo Galhardo e Ana Fernandes, enviados especiais, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 22h49

Atualizado às 00h18

Salvador - A presidente Dilma Rousseff fez nesta quinta-feira, 11, um apelo para que o PT apoie o ajuste fiscal, buscou aproximação com a militância e disse precisar do partido para a aprovação das medidas. Ao participar da abertura do 5.º Congresso da legenda, em Salvador, Dilma afirmou que conta com a sigla para a defesa do governo, do pacote e da Petrobrás e que não tem receio de se “submeter ao julgamento da história”.

“Nós não mudamos de lado, não alteramos o compromisso que temos com o Brasil, que o PT defende desde que chegamos ao governo”, discursou Dilma. “Somos um governo que tem a coragem de realizar ajustes para dar continuidade ao processo de desenvolvimento.”

Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de dez ministros, Dilma disse que apressara a volta da viagem a Bruxelas, onde participou da Cúpula União Europeia-Celac, para estar ali com o seu partido.

“Eu vim para assegurar a cada militante petista que temos uma agenda forte, que vai garantir a retomada do crescimento e um processo de ascensão social”, destacou. “Estejam certos: direitos dos trabalhadores serão garantidos.”

O encontro foi marcado pela falta de entusiasmo da plateia. Muitos dirigentes deixaram o auditório antes do fim dos discursos de Dilma e Lula. A presidente cobrou dos petistas a “leitura correta” da conjuntura e pediu que todos defendam o governo. “Falem com orgulho da Petrobrás, que está ganhando prêmio”, afirmou. “Falem do pré-sal. Deixem claro que não vamos abrir mão do regime de partilha.”

A presidente discursou por quase uma hora, sem admitir que a atual situação do País seja consequência de medidas equivocadas do governo. Sem mencionar escândalos que colocaram o PT na pior crise de imagem de seus 35 anos, Dilma repetiu o mote usado na campanha eleitoral de que incentivou o combate à corrupção.

Sem acomodação. Antes do discurso de Dilma, Lula também pediu engajamento em defesa da gestão da sucessora. “Não se acomodem no governo, pelo amor de Deus. Não deixem o País parar de crescer e parar de incluir. É nossa obrigação ouvir e compreender esse recado, manter acesa a esperança”, afirmou.

Antes de começar a falar, Lula explicou por que leria o discurso, em vez do costumeiro improviso. “Confesso a vocês que preferi com os companheiros do Instituto (Lula) escrever o que vou falar para não falar com o fígado. Tentarei ser o mais tranquilo que um orador pode ser”, disse.

Horas antes, a CPI da Petrobrás havia aprovado a convocação do presidente do instituto, Paulo Okamotto, para explicar os R$ 3 milhões doados pela Camargo Corrêa à entidade, dado divulgado na véspera (mais informações na pág. A5).

O discurso de Lula foi carregado de ataques à mídia. Depois de dizer que veículos de comunicação e jornalistas decretaram por várias vezes a morte do PT e citar demissões ocorridas no setor, o ex-presidente lembrou indiretamente os dez anos do escândalo do mensalão. “Estamos aqui para mostrar que o PT continua vivo e preparado para novos embates. Machucado, sim, mas bem vivo.”

O ato foi marcado pelo clima de tensão. Com nervos à flor da pele, militantes chegaram a bater boca entre si e abafaram o discurso do presidente do PT, Rui Falcão. O motivo da discórdia foi o governador da Bahia, Rui Costa (PT), vaiado por causa da chacina de 12 jovens em fevereiro, atribuída a policiais militares – o governador se posicionou a favor da ação dos PMs.


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