Lula rejeita nova reforma ministerial

Pressionado pelo PMDB e pelo PT, presidente avisa que não fará alterações na Esplanada para acomodar aliados

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2008 | 00h00

Pressionado por aliados para mudar a equipe e acomodar correligionários no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu a auxiliares que não fará reforma ministerial. Em conversas reservadas, Lula avisou ainda que não distribuirá cargos para evitar cotoveladas no Congresso entre PMDB e PT nem empregará políticos com planos de concorrer em 2010 para governos estaduais, Câmara ou Senado.O argumento do presidente para se livrar dos pedidos é o de que candidatos devem deixar o cargo seis meses antes da disputa, o que provocaria paralisia e transtornos às vésperas da eleição. Lula não planeja abrir espaço no governo nem mesmo se for necessária sua interferência para fechar acordo na eleição que escolherá os presidentes da Câmara e do Senado, em fevereiro. Na sua avaliação, tanto PMDB como PT já estão muito bem contemplados."O ministério não pode ser posto como moeda de troca para a estabilidade do governo", diz o chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. "O presidente não vai aceitar imposição de partido nenhum. Quem fizer cálculos pensando em compensações vai quebrar a cara." Para o Planalto, o melhor é eleger Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara e Tião Viana (PT-AC) para o comando do Senado. Nos bastidores, porém, caciques dos dois partidos dizem que, se essa equação mudar, os lados "prejudicados" devem ter compensações. São objeto de desejo as cadeiras dos ministros da Justiça, Tarso Genro (PT), e da Saúde, José Gomes Temporão (PMDB).Articulador político do governo, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB), também é alvo de olho gordo do PT. Os petistas sempre desejaram retomar não só a coordenação política como a Saúde, que tem orçamento anual de R$ 50 bilhões. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), cobiça a pasta. Já o PMDB quer o cargo de Tarso para controlar as investigações da Polícia Federal. Lula terá de administrar ainda pressões derivadas das disputas municipais. Mas, ao que tudo indica, vários petistas ficarão no sereno. O presidente não chamará para o time, por exemplo, Marta Suplicy, derrotada na corrida para a prefeitura paulistana. Ex-ministra do Turismo, ela estuda concorrer a deputada federal ou ao Senado.Dois prefeitos bem avaliados do PT - Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, e João Paulo Lima e Silva, do Recife - terminam os mandatos em dezembro com altos índices de popularidade e, se o critério de Lula for seguido ao pé da letra, podem ficar no banco. Motivo: ambos estão em aquecimento para 2010.Pimentel trava queda-de-braço com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT), para suceder o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). "Não sei qual será o meu futuro, mas estou à disposição do presidente", diz Pimentel, criticado pelo PTmineiro por ter patrocinado a aliança com Aécio para a Prefeitura de Belo Horizonte. João Paulo, por sua vez, jura que em 2010 seguirá a fila para o Senado e não desafiará o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), candidato à reeleição.

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