Lula reforça campanha petista em Campinas

Ex-presidente subirá em carro de som nesta sexta em apoio ao candidato à prefeitura Márcio Pochmann; adversário do PSB, Jonas Donizette, lidera pesquisas de intenções de voto

Ricardo Brandt, de O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 14h12

CAMPINAS - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca nesta sexta-feira, 28, em Campinas (SP) para reforçar a campanha de seu indicado, o candidato a prefeito do PT, Márcio Pochmann. Lula subirá em um carro de som na Praça Rui Barbosa, no centro, às 17h e seguirá até o terminal central. Nos dois pontos, o ex-presidente fará discursos em defesa de Pochmann, na tentativa de elevar os índices de voto do candidato e, assim, levar a disputa na cidade para o segundo turno. É que com 50% das intenções de voto na última pesquisa do início do mês, o candidato do PSB, Jonas Donizette, pode decidir a disputa já no primeiro turno.

 

Lula havia prometido que Campinas estava na lista de cidades que visitaria no  primeiro turno. Pochmann foi uma indicação pessoal do ex-presidente, que viu nele a chance de desvincular o PT do maior escândalo de corrupção da prefeitura da cidade e que terminou com dois prefeitos cassados no último ano - um deles, o petista Demétrio Vilagra.

 

Pochmann - que ocupava a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o segundo mandato de Lula e no governo Dilma -, foi também o nome escolhido para representar o projeto da direção nacional do partido de cacifar novos quadros internos para as futuras disputas eleitorais no Estado. Com perfil e histórico muito próximos do candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, Pochmann vem dos quadros intelectuais do partido e nunca foi testado nas urnas.

 

Alheio ao grupo político que esteve envolvido com o escândalo Sanasa - que derrubou todo núcleo do governo Hélio de Oliveira Santos (PDT) -, Pochmann usa diariamente em seus programas eleitorais os apoios de Lula e da presidente Dilma Rousseff para conquistar o voto do eleitor campineiro. Ele partiu de 1% na primeira pesquisa para 8% no início do mês. A coordenação da campanha considera que, se Pochmann chegar a 20%, a disputa deve ser levada para o segundo turno.

 

A presença de ministros do governo Dilma também é uma constante. Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Miriam Belchior (Planejamento), Aloizio Mercadante (Educação), Alexandre Padilha (Saúde) já estiveram em Campinas para fazer campanha ao lado de Pochmann.

 

Lula e a crise. O ex-presidente também já foi a arma usada pelo PT nos programas eleitorais em Campinas para citar os escândalos de corrupção na prefeitura. Em um depoimento gravado, de pouco mais de um minuto, Lula cita o candidato como solução em meio à crise. "Meus amigos e minhas amigas de Campinas, eu sei que vocês estão magoados com a política. Aliás, eu sei que vocês estão ressentidos com a política, depois dos últimos acontecimentos em Campinas", diz o ex-presidente. Depois de indagar se a solução é "desanimar" ou "não votar", ele afirma: "Em meio às grandes crises, sempre aparece uma grande solução".

 

Lula afirma ainda que o eleitor sabe quem é o candidato "demagogo", o "populista" e o que "fala com seriedade", para apontar Pochmann como a pessoa "que pode recuperar o gosto de Campinas pela política" e "a autoestima do povo campineiro".

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.