Lula recua em ataques e pede paz à oposição

Em discurso, presidente diz que ?brigas só mostram o atraso do País?

Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em campanha para promover o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem paz à oposição. Ao visitar uma escola técnica em Planaltina, cidade-satélite do Distrito Federal, ele disse que as brigas entre o governo e os partidos adversários só mostram o atraso do País. "Acho que temos de ter uma evolução política", afirmou. "Temos de saber a época de brigar, disputar e governar."Candidata de Lula para a sucessão presidencial em 2010, Dilma não foi a Planaltina, mas seu nome estava nas faixas colocadas por aliados na estrada de acesso à escola técnica. Em meio a uma ameaça dos partidos oposicionistas DEM e PSDB de entrar com ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal de Contas da União (TCE) contra o governo, o presidente fez um discurso pedindo o fim dos ataques. Chegou a lembrar a boa relação com os governadores do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM, e de São Paulo, José Serra, do PSDB, além de Eduardo Campos, de Pernambuco, do aliado PSB. "Eu sou de um partido, o Arruda é de outro. O Serra e o Eduardo Campos, de Pernambuco, de outro. Se a gente não assumir a responsabilidade de que a gente tem a vida inteira para brigar e apenas quatro anos para governar e temos de governar juntos, quem perde é a sociedade", disse Lula.Pouco antes, Arruda havia feito um agradecimento ao presidente pelo modo "suprapartidário" de se relacionar com os governadores. Foi o suficiente para Lula, minutos depois, defender sua gestão e pedir que o exemplo de Arruda e de Serra seja seguido pelos demais representantes do DEM e do PSDB. "Da minha parte, eu só peço a Deus que, daqui para frente, nos próximos 20 ou 30 anos, o governante que for eleito tenha juízo para perceber que a briga que fazemos, muitas vezes, é o que mostra o atraso deste país e o número de analfabetos e de gente sem formação no País." Diferentemente das últimas semanas, quando fez ataques à oposição, Lula disse que governo e adversários precisam estar juntos para melhorar as condições de vida das pessoas. A uma plateia formada por estudantes e professores, afirmou que não discrimina governadores de partidos oposicionistas. "O Arruda é de um partido diferente do meu, mas se eu não passar dinheiro para ele, não ajudar, quem é que perde? Não é ele que perde, quem perde são os moradores de Brasília."O presidente afirmou que as divergências políticas devem acabar depois das eleições. "Quem perde e quem ganha têm a responsabilidade de trabalhar para que o Brasil dê um salto de qualidade", disse. Em seguida, voltou a exaltar ações e programas do governo federal na área de educação e prometeu ampliar o ProUni, que concede vagas para estudantes pobres em faculdades privadas. A meta, segundo Lula, é que o programa federal atenda 1 milhão de estudantes. FRASES Luiz Inácio Lula da SilvaPresidente da República"Acho que temos de ter uma evolução política. Temos de saber a época de brigar, disputar e governar""Sou de um partido, o Arruda é de outro. O Serra e o Eduardo Campos, de Pernambuco, de outro. Se a gente não assumir a responsabilidade de que a gente tem a vida inteira para brigar e apenas quatro anos para governar e temos de governar juntos, quem perde é a sociedade""Da minha parte, eu só peço a Deus que, nos próximos 20 ou 30 anos, o governante eleito tenha juízo para perceber que a briga que fazemos, muitas vezes, é o que mostra o atraso deste país"

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