Lula recompensa fidelidade do PR e entrega DNIT

Presidente assina nomeação de Pagot na presença da bancada do partido, que conta com 41 deputados

João Domingos e Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

07 Outubro 2007 | 00h00

Para agradar à bancada do PR e garantir seu apoio fiel na votação da proposta que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na última quarta-feira, ante uma platéia de integrantes do partido, o ato de nomeação de Luiz Antônio Pagot para a presidência do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). Pagot foi indicado para o cargo pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, e sua nomeação faz parte da cota de cargos prometida pelo governo federal para que o PR integre a bancada de sustentação de Lula no Congresso. Foi quase uma quebra de protocolo dentro do Palácio do Planalto. Normalmente, Lula só participa de solenidades de nomeações de auxiliares quando se trata de ministros. E é muito menos freqüente que assine nomeações de dirigentes de estatais diante da bancada parlamentar contemplada com a efetivação do aliado. Desta vez, mesmo sendo uma reunião fechada, sem a participação de público ou de jornalistas, o presidente fez questão de assinar a nomeação de Pagot na frente dos aliados, com a clara intenção de agradar à bancada do PR, dona de 41 votos na Câmara dos Deputados e de outros 4 no Senado. Além dos parlamentares do PR, estavam presentes o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (que é filiado ao PR), além do governador Blairo Maggi. O gesto de Lula, por si só, já seria um agrado inusitado proporcionado a um partido aliado. Torna-se maior ainda pelo empenho demonstrado pelo governo para garantir a polêmica nomeação de Pagot. Sua indicação tramitou por quase seis meses no Senado, onde seu nome enfrentou enormes resistências depois da descoberta de que trabalhou na Casa, em Brasília, de 1995 a 2002, ao mesmo tempo em que tinha emprego na iniciativa privada, como superintendente da Hermasa Navegação da Amazônia, com sede em Itacoatiara, no Amazonas. Além disso, o novo presidente do DNIT declarou como endereço residencial em 1996, em seu Imposto de Renda, um apartamento no Rio de Janeiro. Pagot alegou que, à época, comunicou à direção do Senado que acumularia os dois empregos. Garante ter recebido autorização para isso. Senadores do PSDB contestaram fortemente a indicação, mas Pagot teve seu nome aprovado na semana passada por 42 votos favoráveis e apenas 24 contrários. Os tucanos não conseguiram apoio total nem mesmo dentro da própria bancada. No DEM, Pagot também tinha aliados importantes. Enquanto estava na Hermasa, ele foi funcionário do gabinete do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT). Hoje, é suplente do senador Jayme Campos (DEM-MT). Maior crítico da nomeação, o senador Mário Couto (PSDB-PA) recolhe agora também assinaturas para instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado a fim de investigar supostas irregularidades cometidas em obras do DNIT, apontadas em relatório apresentado no mês passado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O DNIT - com investimentos de aproximadamente R$ 5,2 bilhões, em 2007 - é um dos órgãos mais cobiçados dentro do governo federal.

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