Lula reclama da falta de sensibilidade de ministros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que tem sido muito duro com os ministros, principalmente com os que não têm sensibilidade política e preocupação com a governabilidade. No encontro de ontem à noite com a cúpula do PMDB, no Palácio da Alvorada, o presidente admitiu que são muitas as reclamações de parlamentares que não recebem retorno de pedidos de audiência de ministros, nem do chefe de gabinete. "Isso é falta de sensibilidade política e as reclamações são procedentes", disse o presidente, segundo relato de um dos participantes do encontro de ontem à noite. No desabafo com a bancada do PMDB, Lula comparou as dificuldades do seu governo com as do governo Fernando Henrique Cardoso e reconheceu que o governo petista também tem dificuldades de comunicação. Ele disse que já recomendou a todos os ministros que mandem informações sobre o que estão fazendo ao Congresso Nacional e que mantenham a base aliada municiada de informações para fazer a defesa do governo. O presidente admitiu até mesmo que a comunicação teria de ser feita como a do governador Joaquim Roriz (PMDB-DF), mostrando o que o governo faz no dia-a-dia. O presidente afirmou ainda que daqui por diante abrirá espaço em sua agenda para receber parlamentares e conversar mais com eles. Propôs inclusive ir ao Senado participar de debates sobre o governo.Prazo de 10 dias para Dirceu e Rebelo resolverem pendênciasPreocupado com as dificuldades políticas no Congresso, o presidente deu um prazo de dez dias para que os ministros José Dirceu (Casa Civil) e Aldo Rebelo (Coordenação Política) resolvam as pendências com os partidos aliados. Os problemas vão desde a demora nas nomeações para cargos federais até à falta de acesso dos políticos aos ministérios comandados pelo PT. No jantar com a cúpula do PMDB, Lula pediu a Rebelo e Dirceu que promovam encontros do Conselho Político que, apesar de anunciado no início do governo, até hoje não se reuniu. Ao mesmo tempo, o presidente disse que também ajudará na articulação política para estreitar o relacionamento com o Congresso. Ele reconheceu a importância estratégica do PMDB para o governo e, por isso, disse que as pendências, sobretudo com os senadores, devem ser sanadas. ?O presidente foi muito objetivo ao dizer que quer o PMDB no governo?, afirmou o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP).MínimoAinda durante o jantar, Lula falou dos limites do governo na definição do novo mínimo e pediu ao PMDB que mude a metodologia dessas negociações. "Não tem ninguém mais do que eu que gostaria de dar o máximo de aumento, garantir um salário digno para o trabalhador. Mas não podemos descuidar do impacto nas contas públicas", disse Lula, ao lembrar que o PMDB do Senado propôs um mínimo de US$ 100, enquanto a Câmara divulgou nota propondo R$ 300. Ele disse que gostaria que os partidos aliados acertassem uma proposta única em vez de cada um definindo a sua, mas também sabe que quanto mais demorar na definição do mínimo, mais propostas vão surgir, inclusive no PT. Lula disse que vai conversar com todos os líderes da base para discutir o valor do mínimo. Ele afirmou também que pretende anunciar a decisão o mais rápido possível, para evitar que o assunto vire objeto de disputa política entre os aliados. "O presidente não quer que esse assunto fermente", comentou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que participou do encontro. Aumento do salário famíliaO presidente disse ainda que pretende anunciar, além do novo valor do mínimo um pequeno pacote de medidas que deixem claro que o objetivo do governo é promover o crescimento e gerar emprego. Nesse pacote estará o aumento do salário família.Preenchimento de cargosO líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba (PR), afirmou hoje que o presidente Lula assegurou aos peemedebistas que vai atuar pessoalmente para solucionar as demandas do partido. "Onde precisar da interferência do presidente isso ocorrerá no prazo de dez dias", afirmou Borba. O líder afirmou que nos dois ministérios ocupados pelo partido - Comunicações e Previdência - estão faltando instrumentos para que os ministros completem seus quadros. O preenchimento dos cargos é uma das principais reclamações do partido. "Os ministérios não estão verticalizados", disse Borba se referindo ao fato de que o ministros do PMDB não conseguirem escolher e nomear seus subordinados. Borba disse que no jantar ressaltou os interesses dos deputados, que deverão ser ouvidos nas questões que envolverem governo e partido.

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