Dida Sampaio|Estadão
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Lula reclama com senadores que Lava Jato está 'forçando a barra' para tentar pegá-lo

No encontro que contou com a presença de cerca de 20 parlamentares, o ex-presidente disse que ele está sendo "perseguido" pela força-tarefa que investiga o esquema de corrupção da Petrobrás,

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 12h04

Brasília - Em café da manhã na residência oficial do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu uma reação dos senadores após ele ter sido alvo de uma condução coercitiva na última sexta-feira determinada pela nova fase da Operação Lava Jato. "Estão querendo me incluir de todo o jeito. Estão forçando a barra", reclamou o petista, conforme relatos obtidos pelo Broadcast Político.

No encontro que contou com a presença de cerca de 20 senadores, Lula disse que ele está sendo "perseguido" pela força-tarefa que investiga o esquema de corrupção da Petrobrás, embora não tenha citado nominalmente o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação. Ele defendeu que os senadores deveriam se manifestar sobre a condução da qual ele foi alvo, que classificou como "ilegal".

No início do café, o ex-presidente fez questão de destacar que não é dono do tríplex no Guarujá (SP) nem do sítio em Atibaia (SP), imóveis cuja Lava Jato suspeita que seja patrimônio oculto do ex-presidente. Contudo, Lula não deu maiores detalhes sobre as propriedades, mas ressaltou que já prestou todos os esclarecimentos à Justiça.

Participaram do encontro senadores do PMDB, do PT, do PP, do PDT e do PC do B, todos integrantes da base aliada do governo da presidente Dilma Rousseff. O Senado é a Casa Legislativa que, proporcionalmente, tem mais parlamentares investigados na operação: 13 dos 81 senadores são alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal, inclusive Renan Calheiros.

Após a explanação inicial, Lula e os senadores começaram a conversar sobre a preocupação com a economia brasileira. Presente ao encontro, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que não foi discutida na reunião suposta nomeação de Lula para algum ministério do governo, o que daria ao ex-presidente a prerrogativa de ser investigado apenas pelo Supremo. O PT tem pressionado Lula a assumir o cargo temendo que ela venha a ser preso pelo juiz Sérgio Moro.

Lula está em Brasília desde terça-feira, 8, para tentar ajudar o governo Dilma Rousseff a enfrentar a crise política e tentar conter o avanço do apoio a um processo de impeachment da presidente, assim como uma debandada na base aliada. Ele jantou com Dilma e com os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) na noite de terça e participou do encontro com parlamentares nesta manhã.

 

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