Lula recebe prêmio por defesa da democracia

Presidente encontrará dirigente da Unesco que teve atrito com Amorim

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2009 | 00h00

Deve ocorrer na tarde de hoje, em Paris, o primeiro encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral adjunto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Márcio Barbosa, desde sua rejeição pelo Itamaraty na eleição pelo posto de número 1 da instituição. O encontro será durante a entrega do Prêmio Félix Houphoët-Boigny, que Lula receberá por sua luta pela democracia e pela justiça social.Em maio, Barbosa, atual número 2 da Unesco, entrou em choque com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, após o anúncio de que o governo brasileiro apoiaria o nome do ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosny, à sucessão do atual secretário-geral da instituição, Koichiro Matsuura. Até então, Barbosa organizava sua candidatura ao posto com o estímulo do japonês. Diante da falta de apoio de Brasília, recuou, retirando seu nome da lista de pré-candidatos. A tensão entre Barbosa e Amorim perdurou até que o chanceler afirmou, em maio, em Riad, na Arábia Saudita, que não havia hipótese de o governo brasileiro recuar. "Barbosa é candidato de si mesmo", desdenhou o ministro. Mesmo tendo sido sondado para se lançar ao pleito representando a Argentina, a Rússia ou o Benin, o secretário-geral adjunto optou por se manter à disposição de Brasília, em caso de fracasso da candidatura de Hosny.Apesar da queda de braço, o encontro de hoje entre Lula, Amorim e Barbosa deve ser marcado por um clima de cordialidade aparente. Ao longo do dia, duas reuniões entre representantes do governo e da Unesco ajudaram a distender o ambiente. Barbosa e o ministro da Justiça, Tarso Genro, teriam almoçado juntos em Paris, enquanto Matsuura era um dos convidados, à noite, do jantar oferecido pela delegação brasileira ao primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates.Entre os assessores do secretário-geral adjunto, a convicção é de que ele não reabrirá em público as discussões sobre a candidatura fracassada. "Márcio Barbosa não vai provocar constrangimentos nem com o presidente, nem com Amorim, porque respeita as decisões do chefe de Estado", afirmou ao Estado um de seus assessores diretos. "Isso não significa que ele não nutra mais o desejo de ser candidato." Após o encontro, Lula e a delegação brasileira partirão para Roma, de onde seguem no dia seguinte para a região de Áquila, sede da reunião de cúpula do G8, na Itália.

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