Lula recebe PDT e insiste na tese de ''banco de dados''

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante encontro com a bancada do PDT no Senado, que, se fosse "chegado" a dossiês, teria recorrido a eles, por exemplo, em 2005, durante a crise do mensalão. Lula afirmou, segundo os senadores pedetistas, que, se fosse se valer dessa prática, faria dossiês sobre a corrupção de membros da oposição, e não sobre as despesas pagas com cartões corporativos ou contas de suprimento.De acordo com relato dos senadores, o presidente disse também que, se quisesse fazer dossiê, "teria feito desde 2003". Argumentou que a oposição está insistindo num assunto que não é verdade e a imprensa "meteu na cabeça" que existe um dossiê "e não consegue recuar". E repetiu a tese segundo a qual o que há de fato é um "banco de dados".Segundo os pedetistas, Lula reclamou da oposição, sobretudo dos líderes do DEM e do PSDB, senadores José Agripino (RN) e Arthur Virgílio (AM), respectivamente. Ele os chamou de "denuncistas" interessados em criar fatos artificiais para atingi-lo. "Ele reclamou muito da conduta de parlamentares da oposição", contou Osmar Dias (PR). "Disse que a oposição, por não obter êxito na tentativa de desgastar o governo, está apelando."Conforme os senadores, o presidente foi enfático ao defender a apuração, pela Polícia Federal, apenas do responsável pelo vazamento de dados sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em nenhum momento citou o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas deixou claro que assumirá como sendo contra ele toda e qualquer acusação que a tiver como alvo.Na conversa, Lula explicou que a Polícia Federal não poderá investigar a montagem do "banco de dados". Em sua opinião, de acordo com relato de Osmar Dias, "seria investigar um servidor público que está cumprindo com suas obrigações". O senador afirmou que Lula insistiu na posição de que os gastos da Presidência são sigilosos por questão de segurança.Ainda de acordo com Osmar Dias, o presidente justificou a montagem do "banco de dados" com a necessidade de controle do governo e para suprir a própria CPI dos Cartões. Lula lembrou que os dados abrangem todos os ministérios e disse que os gastos do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan estão sendo coletados, assim como os do atual titular da pasta, Guido Mantega.

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