Lula recebe 'não' da oposição na 'última cartada' pela CPMF

Presidente foi procurar o governador do DF para reverter votos do DEM e Arruda disse que seria 'impossível'

Cida Fontes e Marcelo de Moraes, de O Estado de S. Paulo,

11 de dezembro de 2007 | 15h49

Sem os votos necessários para aprovar a CPMF e temendo a iminente derrota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por um "ato extremo" e foi procurar pessoalmente nesta segunda-feira, 11, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), para reverter o voto na bancada do senador Adelmir Santana (DEM-DF).   Lula atrasou sua agenda e foi tomar café da manhã com o governador na residência oficial de Águas Claras e recebeu um "não" como resposta. Segundo o líder dos Democratas, José Agripino Maia (RN), o próprio Arruda falou para Lula que reverter votos do partido seria impossível uma vez que o DEM já fechou questão contra a CPMF.   Veja também:   Líderes aliados admitem que situação da CPMF é 'dramática' 'Certamente falta algum voto para CPMF', diz FHC PMDB diz que Senado elege presidente e vota CPMF na quarta Entenda o que é a CPMF    A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou que a ida à residência do governador do Distrito Federal tenha sido uma atitude de "desespero" pela CPMF. "Eu acho que isso é um sinal de que o governo, desde o início, sempre esteve aberto às negociações...e que a CPMF não é uma questão partidária ou uma questão governamental. É uma questão do País e da Nação", afirmou a ministra.   No encontro com Arruda, Lula também cogitou a possibilidade de Adelmir Santana ser substituído pelo seu suplente. Arruda, conforme relato de Agripino, lembrou ao presidente que Adelmir Santana já é suplente de Paulo Otávio, atualmente vice-governador do Distrito Federal, e descartou a possibilidade de substituí-lo pelo segundo suplente, Miguel Karim Nabut.   Lula também pediu ajuda para que o DEM não pedisse de volta na Justiça Eleitoral os mandatos dos senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e César Borges (PR-BA), que eram filiados ao partido, caso eles votassem a favor da CPMF. Por conta dessa ameaça, Borges e Tuma avisaram ao governo que não votarão a favor da prorrogação da proposta.   O presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), disse que Lula errou ao tentar convencer individualmente Arruda e o acusou de procurar "cooptar os votos dos senadores do partido em vez de promover conversas institucionais". "Se o presidente Lula tivesse proposto um encontro com a direção do DEM, com os líderes do partido, podia até não conseguir votos a favor da CPMF. Mas, pelo menos, poderia abrir um canal de diálogo. Mas ele prefere ser desrespeitoso com o partido e evita as conversas institucionais, procurando tentar cooptar os nossos senadores", diz Maia.   Depois de conversar com Arruda, o deputado Rodrigo Maia disse que não há qualquer clima político para que o DEM ajude o governo. "O governo erra os métodos de relacionamento conosco. Mas não é surpresa, porque desde o início do segundo mandato do presidente Lula, o governo tenta acabar com o partido, procurando nossos parlamentares para levá-los para a sua base de apoio. Só pararam com isso porque foi aprovada uma dura lei de fidelidade partidária. Aí, eles aparecem depois e pedem para o DEM ajudar na votação de um projeto com o qual não concordamos? Não existe essa hipótese", afirmou o presidente do DEM.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaCPMF

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.