Lula recebe homenagens pelos 65 anos

Em SC, O presidente foi presenteado com um bolo e inverteu as velas para formar o número '56'

Leonêncio Nossa e Tânia Monteiro/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 16h17

Lula foi à entrega de porto reconstruído em Santa Catarina. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

 

Na reta final de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se emocionado com frequência, a ponto de embargar a voz e chorar. Em eventos públicos e nas rodas de conversas mais íntimas, ele não esconde o esforço para não ir às lágrimas e concluir os discursos de improviso.

 

 

 

Foi assim na tarde de ontem, na sua festa de 65 anos, promovida no Planalto por assessores e ministros. "Com toda sinceridade, eu preferia que esse dia não tivesse chegado", afirmou Lula, com voz embargada, segundo relatou um assessor.

 

 

 

Estavam previstas quatro festas de aniversário para o presidente ao longo do dia. Pela manhã, antes da festa do Planalto, Lula apagou as velas numa viagem a Itajaí, em Santa Catarina. No evento, ele trocou a ordem das velas, para comemorar "56" anos.

 

 

 

À tarde, na festa no Planalto, assessores levaram um bolo decorado com um boneco vestido com o uniforme do Corinthians. "Um bolo de gosto duvidoso", brincou o chefe de gabinete e palmeirense, Gilberto Carvalho. "Só vou comer porque é o bolo do aniversário de um grande amigo."

 

 

 

Na agenda oficial de Lula, no site do Planalto, constava a informação sobre as atividades do presidente: "despachos internos". Durante a festa no Planalto, os funcionários cantaram além do tradicional "Parabéns a você" um dos jingles mais famosos das campanhas lulistas - "Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula".

 

 

 

O clima era de despedida, resumiu um colaborador do presidente. O assessor relatou que Lula fez da festa uma cerimônia antecipada para agradecer o trabalho dos funcionários. Um deles, representando o grupo, disse que não esperava uma projeção internacional do País como ocorreu, na sua avaliação, durante o governo Lula.

 

 

 

Depois, o assessor de assuntos internacionais, Marco Aurélio García, disse que "o presidente colocou o nome na história". Acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, Lula deixou mais cedo o Planalto, por volta de 18h30, e foi para o Alvorada, residência oficial da presidência.

 

Festa com a militância

Depois, Lula ainda participou da terceira festa do dia. Organizada pelo PT do Distrito Federal no gramado em frente à portaria do palácio da alvorada, a festa foi animada com cantores gospel. A força do voto evangélico no primeiro turno que deu a vitória à Marina Silva (PV) na capital federal levou o PT a aderir ao ritmo das igrejas. Cerca de mil pessoas participaram da festa, que custou R$ 14 mil, segundo um dos organizadores.

 

Lula passou boa parte da festa tentando acalmar a militância, que queria se aproximar dele e ainda transformar o ato em apoio a Dilma. Ele pediu diversas vezes que as pessoas saíssem do palco montado para ele e para os cantores e pediu que os militantes não fizessem manifestações de cunho eleitoral: "aqui não pode falar de eleição, aqui é só do sessentão" disse Lula, lembrando que esse era o ultimo ano de seu mandato.

 

Em tom mais emocionado, ele agradeceu aos militantes que "independentemente do momento, bom ou mau, não tiveram vergonha do seu candidato, da sua bandeira, e do seu partido", numa referencia aos diversos momentos de crise que enfrentou em oito anos de mandato. Lula lembrou que deixa a Presidência dia 1º de janeiro e afirmou que nesses oito anos não fez tudo que queria, mas fez muito mais do que os que governaram antes dele.

 

Esbravejando, o presidente dizia que o Brasil nunca mais voltara a ser o que era, que o Brasil nunca mais aceitará o FMI e que o pobre seja tratado como cidadão de segunda classe. Lula afirmou ainda que o Brasil é o Pais do carnaval e do futebol, mas mais do que isso é um Pais de homens e mulheres com auto estima e que defendem a soberania brasileira.

 

Para ele, um presidente só pode governar bem se tiver coragem de olhar no olho. "Eu tenho a convicção de que, aconteça o que acontecer nos continuaremos governando esse País pela cabeça de vocês, andando pelas pernas de vocês" declarou.

 

Lula acrescentou ainda que "nunca mais o Brasil voltará a ser um pais de segunda classe, os brasileiros não são vira latas, mas cidadãos do mundo". Assim que encerrou a festa ao sair do local, o presidente foi atingido por uma cotovelada de uma militante que queria se aproximar dele. Depois do incidente, Lula a abraçou longamente e deixou o local com a mão na cabeça.

 

No final da noite, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff era aguardada no Palácio da Alvorada para a quarta comemoração do dia, num jantar organizado pela primeira-dama, Marisa Letícia, no Palácio da Alvorada. Participam do jantar seus ministros e assessores mais próximos. Garantiram presença a maioria dos 38 ministros do governo.

 

Desde que Lula assumiu o governo, em 2003, D. Marisa Letícia organiza grandes festas de aniversário. Nos anos anteriores, as festas tinham um objetivo político de dar demonstrações ao público de que o presidente estava disposto, bem humorado e confiante nos rumos das suas políticas social e econômica. Crises políticas e disputas internas no PT e no governo foram minimizadas nas comemorações, lembram assessores.

 

Desta vez, a festa, ou melhor, as festas, tiveram menos piadas e declarações sarcásticas do presidente. Lula vestiu, na comemoração do Planalto, a velha guaiabeira vermelha, usada com frequência em solenidades mais informais. O presidente, porém, não escondia a dificuldade de receber os cumprimentos simples ou exagerados dos assessores.

 

Atualizado às 23h28 para acréscimo da informações

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