Lula recebe Bastos e deve iniciar reforma ministerial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve dar nesta segunda-feira o primeiro passo para definir a aguardada reforma ministerial. Em caráter reservado, Lula deve se reunir com o ministro demissionário da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com quem discutirá nomes alternativos para a pasta. Entre os cotados, estão o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence e - com menor chance - o ex-ministro do STF Nelson Jobim. A saída de Bastos representa uma perda para Lula. Advogado criminalista, ele assumiu o Ministério da Justiça em janeiro de 2003, no início do primeiro mandato do presidente. Durante os quatro anos seguintes, Bastos atuou como um escudo para o governo, assumindo posições importantes durante os escândalos de corrupção, iniciados em meados de 2005, e a crise da segurança pública em São Paulo, no ano passado. A idéia de definir Tarso como sucessor de Bastos tem enfrentado resistências dentro do PT. O ministro das Relações Institucionais abriu nos últimos dias uma briga política com setores do Campo Majoritário, defendendo em documento uma espécie de depuração ética do partido, com o afastamento de representantes dessa linha, envolvidos com acusações de participação em escândalos. No caso de a indicação de Tarso para a Justiça não resistir às pressões, voltam ao cenário os nomes de Sepúlveda e Jobim. A primeira questão a ser dirimida é se o novo ministro terá perfil técnico, como Sepúlveda, político, como Tarso, ou misto, como Jobim. Embora tenha grande apreço por Tarso, Bastos prefere ser substituído por um jurista de notório saber, por entender que a pasta funciona melhor com um técnico e, como ele, sem filiação partidária. Na hipótese de continuar embaralhada a escolha, Lula poderá optar por deixar um interino à frente do ministério para não prejudicar ainda mais a vida pessoal de Bastos, que já mandou sua mudança para São Paulo e há mais de um mês aguarda a definição do substituto. Se de um lado Bastos anunciou que não fica - "já fiquei mais de um mês a pedido do presidente" - de outro, Tarso admite ocupar a vaga, se for convidado. "Não conversei objetivamente com o presidente, mas considero que minha agenda da coordenação política terminou", disse ele. "Vamos esperar o que o presidente me indica para o próximo período". Político hábil, administrador eficiente e tarefeiro disciplinado do PT, Tarso Genro é o preferido de Lula. Mas tem a resistência de caciques petistas, sobretudo o ex-ministro José Dirceu, que exerce poder inquestionável na máquina partidária. O cargo também é cobiçado por parceiros da coalizão, como o PMDB. Com Vannildo Mendes

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