Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Lula recebe alta de hospital e cancela viagem a Davos

Presidente foi internado após passar mal em Recife e será representado na Suíça por Henrique Meirelles

Clarissa Oliveira e João Domingos, de O Estado de S. Paulo ,

28 de janeiro de 2010 | 07h07

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve alta do hospital Real Português, em Recife, onde esteve internado por causa de uma crise de hipertensão. Por volta das 7 horas desta quinta-feira, 28, ele embarcou para São Paulo. Antes, ele acenou para os jornalistas presentes e disse que "estava bem". 

 

Lula deverá seguir para descansar na casa dele, em São Bernardo do Campo, e retorna para Brasília na no domingo, 31. Todos os compromissos do presidente foram cancelados, inclusive sua viagem a Davos, na Suíça, onde participaria do Fórum Econômico Mundial e receberia o prêmio de Estadista Global. Lula será representado em Davos pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

 

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O mal-estar teve início na tarde de quarta-feira, 27, enquanto ele participava de uma cerimônia em homenagem às vítimas do Holocausto. Lula confidenciou a auxiliares que se sentia muito cansado e passou a ter a pressão monitorada pelo médico Cléber Ferreira, que costuma acompanhá-lo nas viagens oficiais.

 

O presidente foi hospitalizado por causa de uma crise de hipertensão, atribuída à combinação de estresse, gripe e cansaço da agenda carregada que cumpriu nos últimos dias. Ele chegou a embarcar no avião para Davos, mas acabou sendo retirado da aeronave por ordens do médico, que achou melhor mantê-lo em observação no hospital durante a noite.

 

No Hospital Português, em Recife, onde passou a noite, Lula foi submetido a alguns exames, entre eles um eletrocardiograma e um raio x de tórax.

 

Pré-candidata à sucessão de Lula, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, passou a noite no hospital, assim como o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Ambos tinham acompanhado Lula no último compromisso da agenda, um jantar organizado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que foi palco da retomada das negociações entre o presidente e o PSB para a formação de uma aliança para a eleição presidencial deste ano.

 

Campos, que fez uma visita rápida a Lula na madrugada, deixou o hospital dizendo estar "muito feliz". "Ele está se sentindo muito bem. Não há motivo para preocupação", afirmou. "Ele já está se sentindo bem e deve receber alta logo pela manhã", acrescentou Padilha. Lula conversou por telefone com a primeira-dama, Marisa Letícia, e com o cardiologista Roberto Kalil, do Hospital Sírio-Libanês.

 

Quadro atípico

 

Ferreira afirmou que a crise hipertensiva de Lula foi um caso atípico, que não condiz com o padrão de saúde do presidente. "Foi um quadro esporádico. Ele não é hipertenso e a pressão dele é absolutamente normal, sempre foi. Para uma pessoa na idade dele, a pressão dele é invejável: 110 x 80. Então, a gente sabe que foi um quadro esporádico", afirmou o médico.

 

Ele atribuiu a crise a um "conjunto de fatores", mais especificamente estresse, cansaço e uma gripe. "Foi um pouquinho de cada coisa", disse.  "Mas a pressão dele se normalizou rapidamente, quase sem nenhuma medicação", completou o médico, detalhando que administrou um diurético ao presidente. "Isso mostrou o quadro benigno do caso dele."

 

O médico disse que a viagem do presidente a Davos foi cancelada quando ele já se encontrava dentro do avião. "Foi por ordem médica que ele não viajou", contou. Segundo ele, Lula insistiu até o último minuto em decolar com destino a Zurique, de onde viajaria novamente de trem ou de helicóptero para chegar à cidade que serve de sede ao fórum.

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