Lula rebate críticas sobre projeto de governo e NYT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu hoje algumas críticas que tem recebido, sem citá-las explicitamente. Ele discursou na abertura do 16º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, e falou diversas vezes que o "Brasil tem projeto". O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha escrito um artigo, duvidando da existência de um projeto de governo para o País e em outra ocasião, afirmou: "O Brasil tem projeto, mas não sei qual é". Lula também rebateu as críticas provocadas pela decisão, já revogada, de retirar o visto do correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rother. "O Brasil tem projeto e tem comando exercido democraticamente", afirmou. O jornalista tinha feito uma matéria insinuando que seria "uma preocupação nacional" a ingestão de bebida alcóolica pelo presidente. Por este motivo, Lula tentou tirar o visto de trabalho do jornalista no Brasil. No momento em que o presidente bebeu um pouco de água, estouraram vários cliques nas máquinas fotográficas presentes. O presidente afirmou também que escolheu falar sobre a estratégia de crescimento "para desfazer equívocos de percepção" e mostrar "que o País tem rumo". Durante todo o discurso de Lula, quatro pessoas na platéia ficaram de pé mostrando um cartaz informando que os advogados Públicos Federais e a Defensoria Pública estão em greve há mais 60 dias. O cartaz pedia que o presidente determinasse o início da negociação. Lula não comentou o protesto. PrevidênciaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse há pouco que novos passos devem ser dados na área da Previdência depois da reforma aprovada pelo Congresso em seu mandato. "O regime de Previdência ainda tem déficits enormes", disse, atribuindo o fato principalmente ao grande nível de informalidade na economia. Para Lula, a reforma tributária é tão importante quanto a previdênciária e "seu impacto positivo no País está cada vez mais claro". Ele prometeu "perseguir, ainda que por etapas, a desoneração de folhas de salário". Segundo Lula, "não haverá aumento da carga tributária neste governo". O presidente afirmou que há críticas à reforma tributária porque ela não reduziu impostos imediatamente, mas segundo ele, nem poderia fazer isso, já que há uma dívida pública grande "que será honrada". Lula citou também outros projetos importantes no Congresso, como a Lei de Falências e a Lei de Inovações. De acordo com ele, "o Brasil não pode e não vai ser comprador líquido de alta tecnologia". O presidente citou os setores de fármacos, de bens de capital, de software e semi-condutores, entre estes que têm alta tecnologia. "É preciso agarrar firmemente a capacidade de gerar conhecimento e patentes", disse. Para o presidente o Brasil já tem uma competitividade internacional grande na área de agricultura. "Estamos trabalhando para dar um salto na competitividade internacional, que já temos na agricultura. Chegou a hora de dar um passo maior na indústria e nos serviços", disse. O presidente considera também que o agronegócio e a agricultura familiar são "perfeitamente complementares". Ele citou que dos R$ 5,3 bilhões do plano de apoio à agricultura familiar (Pronaf), cerca de R$ 4 bilhões já chegaram aos agricultores.

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