Lula reafirma ao Financial Times necessidade de "limpar a casa?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua primeira longa entrevista ao jornal britânico Financial Times, desde que assumiu a Presidência em 1º de janeiro, insiste em que não sucumbirá à pressão para soluções rápidas visando a uma imediata arrancada da economia e defendeu a mudança do PT para o centro. Lula reiterou que a taxa de juros, hoje em 26,5%, somente declinará quando a inflação estiver sob total controle e insistiu que os gastos do governo somente se recuperarão após um equilíbrio das contas públicas. "Este é um ano de tolerância...de limpar a casa", disse o presidente ao FT. Ontem, em discurso na fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, Lula disse que existem vários indícios de que a inflação está caindo e isso começa a abrir espaço para a queda dos juros.Lula justificou o corte de R$ 14 bilhões no Orçamento do governo realizado no início deste ano, afirmando que seu governo herdou custos ocultos e orçamentos fictícios que precisam ser solucionados. "É como conseguir seu primeiro emprego, após um longo período de desemprego; você precisa pagar a dívida acumulada", afirma o presidente. Lula reitera ao FT que a população entende o "aperto de cinto", citando uma pesquisa em que 70% da população espera "que as coisas comecem a acontecer" apenas a partir do ano que vem. A criação de fundos privados de pensão como parte da reforma da previdência social, argumenta o presidente, é uma passo a caminho dos esforços do governo de se criar condições para um crescimento sustentável no longo prazo. O FT ainda destaca que o presidente irradia confiança e uma calma surpreendente, apesar da crescente pressão no sentido de se atenuar a austeridade econômica. O jornal britânico afirma que o presidente aparenta estar mais saudável do que há alguns meses. Com a mesma austeridade aplicada por ele às contas públicas no início deste ano, Lula agora se exercita rigorosamente durante 100 minutos, todas as manhãs e em apenas 22 dias perdeu 7kg, afirma o FT.

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