Lula quer tribunal para conflitos no campo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu hoje ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, a criação de uma Justiça Agrária, especializada em questões ligadas à terra. O presidente demonstra preocupação com os conflitos agrários, principalmente com o aumento das invasões promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Lula defendeu ainda a interiorização da Justiça Federal, além do aumento do número de varas destinadas a julgar processos referentes à lavagem de dinheiro. Hoje, existem apenas cerca de dez varas para tratar desse tipo de crime, a maior parte delas concentrada em São Paulo e em Brasília. Agora, a idéia é espalhá-las pelo País. A proposta de criação da Justiça Agrária deverá ser acatada pelo Conselho de Justiça Federal, que já começará a estudar a sugestão. Até o fim do ano, um projeto de lei criando a nova Justiça deverá ser apreciado pelo conselho, que, aprovando-o, encaminhará o estudo ao Congresso. Do projeto constarão ainda a proposta de interiorização da Justiça e as novas varas de combate à lavagem de dinheiro. As sugestões não foram vistas como interferência do Executivo no Judiciário. O presidente do STJ considerou as propostas de Lula uma "preocupação democrática". Luz amarela No Palácio do Planalto uma luz amarela se acendeu nos últimos dias com as dificuldades enfrentadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para cumprir a meta de assentamentos no País. O governo já foi alertado de que, com o anúncio e o reconhecimento de que faltarão recursos para que sejam assentadas as 115 mil famílias até dezembro, certamente as invasões serão intensificadas. Há um temor de que a violência no campo possa se espalhar, o que exigirá uma ação mais enérgica dos governos estaduais e até mesmo do governo federal. Este é um ponto considerado muito delicado para o Planalto, que não quer abrir mais uma frente de atritos com aliados.

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