Lula quer trabalhar integração da AL com ´mais ousadia´

Ao participar do ato de inauguração da segunda Ponte sobre o Rio Orinoco, na cidade de Guayana, na Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que em seu próximo mandato vai trabalhar com muito ?mais força? e com muito ?mais ousadia? para consolidar a integração dos países da América Latina.?Todos nós presidentes dos países da América do Sul e da América Latina precisamos trabalhar a integração como jamais trabalhamos. Temos que fazer uma interligação entre nossas estradas, temos de construir as ferrovias que precisam ser construídas, as empresas de petróleo de nossos países precisam trabalhar juntas, o Brasil precisa da Venezuela e a Venezuela precisa do Brasil?, ressaltou.Sobre a relação entre os dois presidentes, Lula deixou um recado a Chávez. ?Não se incomode. De vez em quando tentam fazer intrigas entre nós, tentam criar divergências entre nós. Mas eu aprendi desde pequeno a conhecer as pessoas boas não apenas pelas palavras, mas pelos olhos e pelo coração, e eu acho que você, Chavéz, demonstrou ao povo da Venezuela de que é possível crescer economicamente fazendo justiça social, de que é possível desenvolver a economia de forma justa para que todos participem dela?, finalizou.Chavões de campanhaEm uma atitude surpreendente, o discurso de Lula retomou chavões ácidos de sua campanha eleitoral - os mesmos que vários setores da sociedade brasileira acreditavam que seriam sepultados durante sua segunda administração. O presidente novamente despertou a polarização entre as elites e as camadas mais pobres no Brasil, bem como renovou seus ataques à imprensa - à qual prometera uma melhoria de tratamento logo depois de reeleito, em 29 de outubro. Essa posição do presidente deu-se justamente no dia da demissão de seu antigo companheiro e ministro Luiz Gushiken, coordenador do Núcleo de Assuntos Estratégicos e uma das autoridades mais críticas da postura do governo em relação à mídia. "Neste país acontece exatamente o mesmo que no Brasil. Eu conheço o tipo de críticas que fazem a você. É a mesma que faziam a mim", afirmou Lula a Chávez, no discurso, em uma aberta comparação entre as administrações e as campanhas eleitorais. "Os banqueiros ganharam muito dinheiro no Brasil e certamente ganham muito aqui na Venezuela. Alguns empresários ganham muito dinheiro aqui, como ganharam muito dinheiro lá. Mas se tiverem de fazer uma opção entre você e o outro que seja mais próximo deles, não tenha dúvidas que o preconceito fará com que eles estejam do lado de lá", completou, alheio à presença de Emílio Odebrecht entre os convidados especiais. Espírito chavistaNo mais afiado espírito chavista, Lula assinalou que foi escolhido presidente de novo pela "generosidade do povo", que não reivindica nada que não possa ser atendido e será a prioridade de seu governo, e destacou que foi "Deus" quem quis sua reeleição e a de seus companheiros da esquerda na América Latina. Adotou ainda um tom paternalista ao dirigir-se a Chávez e ao afirmar que quanto mais responsabilidade e democracia há em um país, mais exigentes são os eleitores."Esteja certo que esse povo, que gosta muito de ti, será muito mais exigente que no primeiro mandato. Tenho certeza que o povo brasileiro, que me deu um voto de confiança, também será mais exigente", afirmou. "Quis Deus, que nós tivéssemos uma América Latina e uma América do Sul um pouco diferenciadas. Já não é apenas o companheiro Chávez, presidente da Venezuela, já não é apenas o presidente Lula, presidente do Brasil, outros presidentes foram eleitos democraticamente", completou. A segunda ponte sobre o Rio Orinoco, construída pela empreiteira brasileira Odebrecht, vai integrar o corredor de transportes que facilitará o acesso às regiões central e oriental da Venezuela e ligará as cidades de Boa Vista, em Roraima, e Manaus, no Amazonas, com o mar do Caribe.Com a obra, há a expectativa de expansão do comércio bilateral entre Brasil e Venezuela, que ultrapassou US$ 3 bilhões de janeiro a setembro deste ano. Ao falar à imprensa, Lula justificou a continuidade da obra no período eleitoral venezuelano. ?Não posso parar a administração do Estado por causa de uma campanha. Estou muito feliz. Vai permitir que nós aqui da América do Sul acompanhemos os europeus. A integração, a exemplo da União Européia.?Colaborou Denise Chrispim Marin, enviada especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.