Lula quer 'todos os dólares do mundo' no Brasil, sem especulação

O presidente Luiz Inácio Lula daSilva pregou uma "euforia comedida" com o grau de investimentoconferido ao país semana passada pela agência de classificaçãode risco Standard & Poors, mas ironizou a preocupação com umpossível maior ingresso de dólares no país. Em entrevista à TV Cultura, que vai ao ar nestasegunda-feira, às 22h, Lula disse que o Brasil esperou 50 anospara receber a entrada de dólares, graças a sua estabilidadeeconômica, e na hora em que ganha essa credibilidade surgem ostemores. "Primeiro, eu quero que entrem todos os dólares do mundodentro do Brasil. Segundo, eu acho que nós temos que termecanismos para não misturar o dólar que entra para o setorprodutivo... com o dólar que vem para a especulação", disseLula. O presidente citou como exemplo de mecanismo de contençãodo capital especulativo a taxação do IOF (Imposto sobreOperações Financeiras) para estrangeiros em 1,5 por cento,introduzida em março. "Se for preciso, cria-se mais. O Conselho Monetário saberáo momento adequado para discutir isso." Nesta tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse àReuters que, neste momento, o governo não estuda uma novaelevação do IOF, afirmando que antes é preciso avaliar o efeitoda alíquota imposta em março. Segundo Lula, a política industrial que o governo lança napróxima segunda-feira trará fortes incentivos à exportação, comdesonerações e estímulo à inovação tecnológica. O presidente afirmou que o país precisa evitar o déficit emconta corrente e que a política industrial considera essaquestão. "O Brasil precisa se transformar numa plataforma deexportações de vários produtos, não apenas commodities, mas decarros, de telefone celular, de software", defendeu Lula,acrescentando que a política industrial vai contribuir paraesse objetivo, fomentando e incentivando os exportadores.(Texto de Mair Pena Neto)

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