Lula quer sindicalismo mais político

O sindicalismo no Brasil deve atuar de forma mais política e menos corporativa no futuro. Essa é a avaliação do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, a democracia está mais consolidada hoje do que há 20 anos, e muita coisa mudou, no período, com relação a atuação sindical. "No início do movimento, lutávamos mais com a paixão, a emoção, pois enfrentávamos o regime militar. Hoje, a democracia está mais consolidada, apesar de a economia não estar neste leque", comparou Lula. Ele exemplificou a mudança dos sindicalistas no período. "Antes, eu precisava xingar para que os trabalhadores aderissem às greves. Hoje, com uma conversa, todos param. Há 20 anos eu tinha que pedir autorização e esperar 30 dias para poder entrar numa empresa; hoje vou a qualquer lugar, a qualquer hora. No passado, os jornais sindicais eram levados para as fábricas por baixo das roupas, com medo de coação da empresa. Hoje ele é distribuído na linha de produção. Por tudo isso, defendo que o movimento sindical deva ser cada vez mais político e, se possível, também ouvido pelo governo", disse. Lula lembrou que o número de trabalhadores nas grandes empresas atualmente é praticamente 1/3 do que havia há 20 anos. Ele criticou também a alta tributação dos salários. "O salário não deveria ser considerado renda", defende. O presidente de honra do PT fez essas declarações momentos antes do início da cerimônia para lembrar a I Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat), que completa 20 anos este mês. FMI e ArgentinaLula criticou o novo acordo do FMI com a Argentina, dizendo que o Fundo quer que o país se integre o mais rapidamente a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "O FMI está fazendo pressão para que os países da América do Sul façam parte do bloco econômico. Era exatamente isso que eu temia quando o Fundo estava em negociação com o Brasil", afirmou.Para ele, estes temas, assim como a atuação do Brasil em relação a Organização Mundial do Comércio (OMC) interferem diretamente na vida do trabalhador. "Economicamente todos são afetados. Há o risco de uma mudança do número de empregos, da quantia dos salários, etc; por isso, os lideres sindicais deveriam ser mais ouvidos pelo governo, pois eles representam a maior parte da população brasileira?, afirmou.

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