Lula quer ser 'mascate' do Brasil para combater crise

O presidente Luiz Inácio Lula daSilva se ofereceu nesta quinta-feira para ser "mascate" dosprodutos brasileiros no exterior como forma de enfrentar acrise financeira global. Lula disse ter conversado com o presidente da Federação dasIndústrias do Rio Grande do Sul, Paulo Tigre, sobre anecessidade das empresas brasileiras buscarem novos mercadospara os seus produtos. "Nós que produzimos máquinas e equipamentos agrícolas, comopoucos países do mundo, não podemos ficar esperando apenas aAlemanha, a França ou a Suécia comprarem nossas máquinas. Temosque vender nossas máquinas em países que têm possibilidade decomprar, que estão crescendo", disse Lula a jornalistas, deacordo com imagens da Radiobrás, após a cerimônia de batismo daplataforma P-53, em Rio Grande (RS). Lula citou a África como um mercado a ser explorado para osprodutos brasileiros. "Estou à disposição de viajar pelocontinente africano vendendo máquina, trator, o que tiver paravender. Eu não terei problema de ser mascate do Brasil paracolocar o seu produto no mundo para enfrentar a crisefinanceira americana." O presidente garantiu que a crise não chegou ao Brasil atéagora, mas que o primeiro sinal visível é que os créditosinternacionais começam a rarear para países e empresas. "As pessoas transformaram alguns setores do sistemafinanceiro em cassino, perderam na roleta e nós não queremosque o Brasil seja vítima da jogatina de algumas pessoas quedavam palpite sobre tudo no Brasil e de repente quebraram",atacou Lula. O Brasil, disse Lula, trabalha com a possibilidade de umarecessão nos Estados Unidos, mas aposta que ela não afetarátanto o Brasil pela diversificação das relações comerciais. "Hoje temos apenas 15 por cento do nosso fluxo com osEstados Unidos. Temos muito com a América do Sul, muito com aÁsia, muito com a África, muito com o Oriente Médio, portantocreio que (a crise) não vai afetar o Brasil como em outrosmomentos", avaliou Lula. (Texto de Mair Pena Neto)

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