Lula quer 'popularizar' debate da reforma tributária

Presidente pede ao ministro da Fazenda que incorpore 'representantes de assalariados' na negociação

Leonencio Nossa, do Estadão e Adriana Fernandes, da AE,

14 de novembro de 2007 | 17h50

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou nesta quarta-feira, 14, ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que incorpore os "representantes de assalariados" no processo de negociação da reforma tributária. "Vamos popularizar esse debate", disse o presidente em encontro no Palácio do Planalto da Câmara de Política Econômica, no qual analisou a proposta de mudança no sistema tributário que deverá ser enviada em breve ao Congresso, segundo assessores do governo. De acordo com interlocutores, Lula avalia que é importante, no processo de debate da reforma, a participação de centrais sindicais, por exemplo. O presidente teria endossado a proposta da equipe econômica de "desonerar" e "simplificar" o sistema tributário.  Em entrevista nesta tarde, o presidente disse também que manter a arrecadação é "extremamente importante" na reforma tributária. "Vamos fazer uma política tributária que seja mais justa e que tenha uma parte importante de desoneração, de simplificação e de política social", afirmou. Segundo o presidente, Mantega fez uma explanação sobre a proposta de reforma tributária que será enviada ao Congresso até o dia 30 de novembro, conforme compromisso assumido na terça com os aliados da base parlamentar governista para aprovação da emenda constitucional que prorroga a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O presidente fez as declarações após almoçar no Itamaraty com o presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira. Lula defendeu a apresentação da proposta de reforma tributária também aos trabalhadores e aos representantes do movimento social. "Precisamos acabar com essa história de que tributo é uma coisa que interessa apenas aos Estados, aos municípios e aos empresários", disse. Na avaliação do presidente, a reforma tributária interessa sobretudo aos trabalhadores, porque é na política tributária que estão incluídos os recursos que serão usados na política de ação social. Segundo o presidente, é sobre a folha de pagamento das empresas que recai uma série de cobranças, e daí a importância da participação dos trabalhadores na discussão. Lula observou que, muitas vezes, uma desoneração tributária implica redução de recursos da Previdência Social. Ele disse que é favorável a um debate franco e aberto em torno da reforma tributária, porque a política tributária não é do governo federal. "O problema dela é que cada ser humano tem uma política tributária na cabeça, cada ser humano representa uma corporação, cada Estado tem um pensamento, e cada município tem um pensamento. Em algum momento, teremos que deixar de pensar em nós mesmos para pensar o País no médio e longo prazos."

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