Lula quer política melhor que a de Kubitschek

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o País deve crescer com responsabilidade, sem que sejam gastos mais recursos do que os disponíveis. "O crescimento será de forma responsável e não, como a farra do boi", disse Lula, em referência ao excesso de gastos. A farra do boi é uma manifestação folclórica de Santa Catarina, proibida por lei em razão de sua crueldade contra o animal.Ao elogiar o crescimento responsável, o presidente lembrou do período militar, quando houve o chamado "milagre brasileiro". "Em 1973, o Brasil cresceu 13,94% ao ano, mas o salário mínimo decresceu 3,4%", disse Lula. "Na época de Juscelino Kubitschek, o Brasil cresceu 7%, mas o salário mínimo não acompanhou".Juscelino Kubitschek governou o País de 1956 a 1961, período em que o Brasil passou por acelerado crescimento econômico graças ao Plano de Metas - com o lema "cinqüenta anos em cinco" - que era baseado na política de substituição de importações. Mas a política de JK gerou forte pressão inflacionária. Após o Golpe Militar em 1964, foi criado um primeiro Programa de Ação Econômica do Governo para combater a inflação e chegar a um equilíbrio para então crescer. Uma das estratégias foi expandir a indústria de base (siderurgia, energia, petroquímica) para evitar que o aumento da produção de bens industriais provocasse um aumento nas importações brasileiras de insumos básicos, que a indústria consumia de forma crescente.Após um período inicial recessivo, de ajuste, que foi de março de 1964 até fins de 1967 - ano em que Antônio Delfim Netto assume o comando da economia com a reorganização do sistema financeiro, a recuperação da capacidade fiscal e maior estabilidade monetária - iniciou-se em 1968 um período de forte expansão econômica no Brasil. De 1968 a 1973 o PIB brasileiro cresceu a uma taxa média acima de 10% ao ano, a inflação oscilou entre 15% e 20% ao ano e a construção civil cresceu, em média, 15% ao ano. "Para mim, o milagre é trabalharmos com responsabilidade para permitirmos não só o crescimento do PIB, mas também a melhoria das condições de vida dos 190 milhões de brasileiros", continuou o presidente. "Aí, é bimaravilhoso".De acordo com Lula, houve um tempo em que o Brasil não podia crescer por causa do Fundo Monetário Internacional (FMI); depois, devido ao desaquecimento da economia; em seguida, pela ausência de projeto e, por fim, "porque determinaram que o País iria ser terceirizado".Construção de naviosLula esteve hoje em Porto de Suape, em Pernambuco, para assinar um contrato relativo à primeira ação prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O documento, no valor de R$ 2,47 bilhões, permitirá a construção de dez navios da Transpetro, empresa ligada à Petrobras.Em um discurso improvisado, o presidente destacou a importância de o País voltar a construir navios e lembrou que a encomenda mais recente de uma embarcação foi feita em 1989, para a construção do navio Livramento, que só foi entregue sete anos depois. "Um dia teve alguém que, de forma irresponsável, disse que o Brasil não iria produzir navios e sim, terceirizar sua frota", disse Lula.O presidente disse também que o fato de ter escolhido Pernambuco para assinar o primeiro contrato do PAC não significa que esteja privilegiando o Estado. "Tenho com Pernambuco uma questão sanguínea", concluiu Lula.Críticas ao PACAo responder a uma pergunta sobre as críticas que têm sido feitas ao PAC, Lula disse que não tem tempo de ficar "falando mal" de qualquer pessoa. "O Brasil vive um momento excepcional", afirmou o presidente. "O País criou as condições para, daqui para a frente, crescer de forma vistosa".Antes, Lula havia reiterado que a elaboração do programa econômico apresentado por seu governo na semana passada só foi possível em razão do trabalho realizado durante os quatro anos de seu primeiro mandato. De acordo com ele, o PAC não é uma obra do presidente da República. "É apenas para atender às necessidades do Brasil, que descobrimos por meio das demandas dos próprios governadores".Este texto foi ampliado às 18h25

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.