Lula quer Planalto longe da operação da PF, julgada êxito--fonte

Em reunião nesta segunda-feira com osministros da coordenação política, o presidente Luiz InácioLula da Silva considerou a Operação Satiagraha, da PolíciaFederal, "exitosa, consistente e dentro da legalidade", dissefonte do Planalto. O governo tenta afastar do Palácio do Planalto os problemasgerados pela operação, que levou à prisão o banqueiro DanielDantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo,Celso Pitta. Todos já foram soltos por habeas corpus daJustiça. Para o governo, os desdobramentos das investigações dizemrespeito à Justiça e à própria Polícia Federal. A divulgação denotas oficiais pelo chefe do gabinete do presidente, GilbertoCarvalho, e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin)fazem parte dessa estratégia. Carvalho reconheceu que forneceu informação do Gabinete deSegurança Institucional da Presidência ao advogado eex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), citado pela PFcomo integrante do esquema de Daniel Dantas. Negou, entretanto,ter praticado tráfico de influência para o petista junto à PF eao Ministério da Justiça. Já a Abin, ligada diretamente àPresidência da República, informou por meio de comunicado quenão influenciou as apurações do caso. Segundo fonte do Palácio do Planalto, o presidenteconcordou que a Polícia Federal cometeu erros, como ofavorecimento da TV Globo na cobertura da operação. Ponderou,entretanto, que isso não comprometerá os resultados dasinvestigações. Além do presidente Lula, participaram da reunião ovice-presidente José Alencar e os ministros Dilma Rousseff(Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência),Franklin Martins (Comunicação Social), Tarso Genro (Justiça),Paulo Bernardo (Planejamento) e José Múcio Monteiro (RelaçõesInstitucionais). Gilberto Carvalho também esteve presente. Na reunião, ficou definido ainda que os ministros comgabinete no Palácio do Planalto terão de seguir regras deconduta para participar das eleições municipais. O manual serádiscutido em uma próxima reunião, que ainda não foi agendada. Os demais ministros poderão participar livremente daseleições. O presidente cobrará, no entanto, cautela. Querevitar que essa atuação gere ressentimentos entre integrantesda base aliada no Congresso. Diversos parlamentares sãocandidatos, e podem culpar o Executivo por eventuais derrotas.(Reportagem de Fernando Exman)

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