Lula quer permanência de delegado da PF no caso Dantas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silvadefendeu nesta quarta-feira a permanência do delegado daPolícia Federal, Protógenes Queiroz, no comando dasinvestigações da Operação Satiagraha. Queiroz e mais dois delegados que estiveram à frente daoperação vão deixar o caso na sexta-feira. A direção da PFafirmou que a saída de Queiroz se deve à necessidade de fazerum curso de especialização, exigido para promover delegados com10 anos de profissão. Fontes próximas ao delegado comentaram que sua saída foiresultado de pressão política depois que vieram à tonaconversas telefônicas do chefe de gabinete da Presidência,Gilberto Carvalho. Em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, Lulabuscou afastar os rumores de que o delegado teria sido punidopelo governo. "A única coisa que queremos neste caso é responsabilidade.Vender insinuações é que não é correto", disse Lula, para quemProtógenes Queiroz tem obrigação "moral" de concluir orelatório depois de ter conduzido as investigações por quatroanos. Lula contou já ter conversado com o ministro da Justiça,Tarso Genro, sobre o assunto. Ele quer que o delegado declarepublicamente se quer deixar as investigações. "Passar a idéia de que foi afastado é má fé", disse opresidente. Perguntado se a informação passada por Gilberto Carvalho aLuiz Eduardo Greenhalgh, advogado do banqueiro Daniel Dantas,preso na operação da PF, deixaria seu chefe de gabinete emposição delicada, Lula defendeu o subordinado. "Se você ligar para mim, quem vai atender o telefone é oGilberto. Peça a Deus que o telefone não esteja gravado",ironizou o presidente. O discurso adotado pelo governo é de que Gilberto Carvalhoestaria cumprindo o papel dele de servir de filtro a quem tentachegar ao presidente. NOTA DA PF Em nota divulgada nesta quarta-feira em seu site, a PFafirma que recusou proposta de Protógenes Queiroz de continuarresponsável por um dos três inquéritos instaurados a partir daOperação Satiagrha, trabalhando aos fins de semana. Queiroz teria feito a proposta de conduzir o inquérito aossábados e domingos, em reunião na última segunda-feira, pelanecessidade de frequentar o Curso Superior de Polícia a queganhou na Justiça o direito de frequentar. "A sugestão não foi acatada já que traria prejuízo àspessoas convidadas a prestar esclarecimentos, comprometendotambém a celeridade da apuração", diz a nota da PF. A nota acrescenta que uma autorização a Queiroz quebraria aregra de dedicação exclusiva exigida de todos os participantesna fase presencial. "Diante dos argumentos, o delegado Queiroz comprometeu-se arelatar o inquérito até o dia 18 de julho, alegando que oprocedimento estaria praticamente concluído com os resultadosdas investigações realizadas até então." Ainda de acordo com a nota da PF, Queiroz manifestou odesejo de não atuar junto aos outros dois inquéritos depois deconcluir o curso superior. A nota diz também que a delegada Karina Souza, outra quedeixará o caso, pediu para não continuar conduzindo o inquéritopelo qual era responsável alegando "razões pessoais". A PF afirma na nota que o delegado Carlos EduardoPelegrine, o terceiro a deixar o caso, não integrava a equipede investigação e estava cedido para auxiliar na faseostensiva.(Reportagem de Fernando Exman)

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