Lula quer 'parceria' sem 'intromissão' dos EUA na AL

Presidente diz também que Obama tem 'clareza' de que é preciso estabelecer um consenso entre o G-20

AE, Agencia Estado

16 de março de 2009 | 10h25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu  nesta segunda-feira, 16, uma "visão de parceria e não de ingerência, de contribuição e não de intromissão", dos Estados Unidos nas relações com a América Latina democratizada, que "cresce e que fez uma opção pelo desenvolvimento". No programa semanal de rádio "Café com o Presidente", Lula afirmou que retomou a conversa sobre a região na reunião que teve no fim de semana com o presidente dos EUA, Barack Obama. "Eu estou convencido de que os Estados Unidos podem, definitivamente, ter uma outra relação com a América Latina. Nós não queremos Aliança para o Progresso, como foi feito na década de 60, nós não queremos a ingerência em função de perspectiva de luta armada", afirmou o presidente brasileiro.

Lula disse também que Obama tem a "clareza" de que é preciso estabelecer um consenso entre os países do G-20 para tomar medidas contra a crise econômica global. De acordo com o presidente brasileiro, é preciso encontrar uma saída coletiva para a crise econômica. Por isso, Lula lembrou que disse ao presidente dos EUA que é preciso retomar a conversa sobre a Rodada Doha de comércio internacional. "Tem gente que acha que, em função da crise, é muito difícil retomar as negociações da Rodada Doha. Eu acho que nós temos que vê-la não como um empecilho, mas como uma saída ou um dos componentes para que a gente possa resolver o problema da crise, sobretudo ajudando os países mais pobres que querem vender os seus produtos nos países mais ricos."

Lula disse ainda que não há mais nenhuma razão para a continuidade do bloqueio econômico contra Cuba. "Eu acho que pode mudar, eu acho que o Obama tem condições de fazer essa inflexão, sobretudo se nós analisarmos o caso de Cuba, em que não há mais nenhuma razão para continuar o bloqueio", declarou.

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