Lula quer mundo livre de especulação e de dogmas econômicos

Presidente assina artigo na edição desta terça do 'Financial Times' em série especial sobre futuro do capitalismo

BBC Brasil, BBC

10 de março de 2009 | 05h06

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse esperar um mundo mais "humano" após a eventual recuperação da economia mundial, em um artigo exclusivo na página de opinião do jornal Financial Times desta terça-feira, 10.  "Não estou preocupado com o nome que será dado à nova ordem econômica e social que virá depois da crise, desde que seu principal foco seja o ser humano", diz Lula no jornal. O texto faz parte de uma série de debates e artigos promovida pelo diário britânico sobre o futuro do capitalismo.   Veja também: + Financial Times: Lula diz que Brasil superará crise antes que outros países De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise "Hoje ninguém ousa prever qual será o futuro do capitalismo", afirma Lula. "Como líder de uma grande economia descrita como 'emergente', o que posso dizer é que tipo de sociedade espero que apareça depois desta crise... Tenho esperanças de um mundo livre dos dogmas econômicos que invadiram as ideias de muitas pessoas e que foram apresentados como verdades absolutas." "Políticas anti-cíclicas não deveriam ser adotadas apenas em épocas de crise. Aplicadas com antecedência - como foi feito no Brasil - elas são a garantia de uma sociedade mais justa e democrática", escreve o presidente.   Na última segunda, o presidente disse, em declarações também ao jornal britânico, estar convencido que o país vai superá-la antes dos outros. Lula qualificou o ano de 2008 de "excelente" e se mostrou também otimista sobre as perspectivas do ano atual. Lula argumenta, e poucos observadores estão em desacordo com ele, segundo o Financial Times, que o Brasil está em melhores condições hoje de superar a crise do que há uma década, quando as crises russa e asiática levaram a uma enorme fuga de capitais e puseram o país à beira da falta de pagamento. Lula ainda descreve outras expectativas que tem para o fim da atual crise econômica global. "(Espero que surja) uma sociedade que vai valorizar a produção e não a especulação. A função do setor financeiro será de estimular a produtividade - e ele estará sujeito a um controle rigoroso nacional e internacional. O comércio exterior será livre do protecionismo que está mostrando sinais perigosos de estar se intensificando", diz. Lula também menciona suas esperanças de uma reforma nas organizações multilaterais e de um novo sistema de governança global. Em boa parte do artigo, o presidente também relembra sua infância no interior de Pernambuco, o início de sua vida de metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP) e sua trajetória política até ser eleito em 2002. "Para mim o capitalismo nunca foi um conceito abstrato", escreve.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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