Lula quer 'modelo Haddad' em Campinas

Ex-presidente comanda aliança eleitoral no entorno da capital e escolhe Márcio Pochmann para renovar PT na cidade do interior de SP

Bruno Boghossian / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2011 | 19h43

Com propostas de renovação do PT paulista e pressões para evitar prévias em cidades estratégicas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a moldar o partido para as eleições municipais de 2012. Depois de liderar, na capital, a campanha pela candidatura do ministro Fernando Haddad (Educação), Lula pretende emplacar o economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Campinas.

 

Políticos novatos em disputas municipais passam a substituir candidatos derrotados em eleições anteriores, em um movimento de formação de novos quadros. Em Campinas, terceiro maior município do Estado, Pochmann ajudaria o PT local a superar um momento delicado.

 

O ex-presidente teme que as denúncias de fraudes na gestão do prefeito cassado Dr. Hélio (PDT) e do atual Demétrio Vilagra (PT) frustrem as pretensões eleitorais do partido na cidade. Pochmann, técnico do Ipea e professor da Unicamp, seria apresentado como nome "anticorrupção".

 

"Ainda não queremos discutir nomes, mas há uma simpatia muito grande pelo Pochmann", afirmou uma liderança do partido, que reconheceu a influência de Lula na indicação.

 

O apreço do ex-presidente por candidaturas inéditas é reflexo da estratégia de renovação defendida por ele e pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu. Esse pensamento norteou o lobby de Lula pelo ministro Fernando Haddad na capital paulista, em disputa com a senadora Marta Suplicy, que perdeu a última eleição municipal para Gilberto Kassab (hoje no PSD).

 

Novatos são apostas em outras duas cidades. Em Mogi das Cruzes, o candidato petista deve ser Marco Soares, presidente da OAB local. Em Ribeirão Preto, o partido pretende lançar o juiz aposentado João Agnaldo Donizeti Gandini, que presidiu o processo que acusava o ex-ministro Antonio Palocci de fraudes em licitações quando o petista era prefeito do município.

 

Lula também decidiu trocar um candidato derrotado por um novo nome em Santo André. O deputado Vanderlei Siraque pretendia disputar novamente o cargo de prefeito, mas foi pressionado a abrir caminho para o ex-sindicalista Carlos Grana, amigo de Lula e frequentador do Palácio da Alvorada na gestão passada.

 

Grande São Paulo. Interlocutores dizem que Lula acompanha "com lupa" as articulações no ABC, seu berço político. Na região, ele escalou o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, para comandar as negociações. A recomendação nessas cidades é evitar a repetição do "trauma de Santo André" (em 2008 as prévias racharam o PT).

 

Em 25 cidades paulistas consideradas importantes pelo partido, é dada como certa a escolha de candidatos por consenso.

 

A opinião do ex-presidente também pesou em Osasco, mas a favor de um veterano: João Paulo Cunha. O atual prefeito, Emídio de Souza, pretendia indicar seu sucessor e dizia temer que a candidatura de Cunha, réu no processo do mensalão, prejudicasse o partido. Lula teria alertado que a divisão seria risco ainda maior. No fim, Cunha prevaleceu.

 

"Para não ter guerra, tinha que ser o João", disse um petista.

 

Em Suzano, na Grande São Paulo, onde cinco candidatos insistem em disputar a sucessão do prefeito petista Marcelo Cândido, a proposta é realizar uma pesquisa de intenção de voto no fim do ano ou no início de 2012.

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