Lula quer mais negócios do que reclamações de empresários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou hoje a atenção dos empresários brasileiros durante encontro organizado pela Confederação das Indústrias Indianas, em Nova Délhi. Ao falar sobre as grandes possibilidades de ampliação dos negócios no exterior, Lula não deixou por menos. "O momento que estamos vivendo não é para nenhum empresário ficar dentro do seu país chorando o que não está acontecendo", afirmou ele. "Vou fazer um desafio para que vocês aprendam a vender mais do que reclamar."Para uma platéia formada por cerca de 150 empresários, o conselho foi um só: sair pelo mundo e garimpar espaços para vender seus produtos. "Convidamos os empresários para vir à Índia com a certeza de que vocês podem repetir, no século 21, a mesma função desbravadora que os portugueses tiveram 500 anos atrás quando descobriram o Brasil", disse. O presidente garantiu que, quando voltar ao Brasil, convocará uma reunião com representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e das federações de indústrias e comércio de todos os Estados para formalizar o desafio lançado hoje."Não dá para ficar parado nem na Índia nem no Brasil cobrando investimentos que as pessoas já sabem, de antemão, que o governo não tem", insistiu Lula, abandonando o discurso redigido para falar de improviso. Em tom de cobrança, o presidente pediu mais coragem. "É preciso que a gente seja mais criativo, mais ousado e que estabeleça entre nós o compromisso de fazer as coisas acontecerem".?Outra globalização?Antes da descompostura nos empresários, o presidente Lula abriu, em Nova Délhi, um seminário sobre desenvolvimento sustentável convocando os "colegas indianos" a participarem do que chamou de "outra globalização", para conjugar crescimento econômico com distribuição de renda. Depois, ao falar de improviso, observou que o momento não é apenas de firmar acordos bilaterais. "A hora é de política de inclusão social, porque é para isso que fomos eleitos", destacou. "O desafio que está colocado para nós é que não basta crescer para atender uma pequena casta da nossa sociedade: crescimento tem de significar distribuição de riqueza."

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