Lula quer impor diária a ministros para acabar com 'sacanagem'

No entanto, presidente não menciona os gastos com cartões corporativos de alguns ministros

REUTERS

12 de maio de 2008 | 22h34

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na segunda-feira, 12, que pretende instituir diárias para os ministros com o objetivo de "acabar com a sacanagem". A Presidência confirma que há um projeto para estipular diárias para os ministros no valor de R$ 450. Elas devem ser criadas após o final da CPI que investiga os cartões corporativos. Durante o discurso, porém, Lula não mencionou os gastos com cartões que estão em cheque por desvio de recursos públicos. Veja também:   'Suspeito do dossiê leva CPI para dentro do Planalto', diz Marisa Acompanhe reunião da CPI que decidirá a convocação de suspeito de vazar dados de FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Teste seus conhecimentos: quem foi que disse o que sobre o dossiê?  Ouça a entrevista com Marisa Serrano   "Quero cumprimentar o companheiro Mariano Palma Vilaça, diretor do Conselho Fiscal do sindicato, que brigava tanto para que as notas do sindicato estivessem em dia. Brigava tanto que me obrigou a instituir as diárias do sindicato, coisa que eu quero fazer para acabar com a sacanagem", afirmou o presidente citando um ex-dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo quando Lula presidia a instituição. Recebido aos gritos de "um, dois, três, Lula outra vez", o presidente participou nesta noite, na sede do sindicato, das comemorações dos 30 anos da greve dos trabalhadores da montadora de caminhões Scania, em São Bernardo do Campo. O movimento desencadeou uma onda de greves que culminou com as grandes paralisações dos metalúrgicos em 1979 e 1980, em plena ditadura militar. As greves projetaram o nome do então líder sindicalista Lula. No discurso dirigido a um auditório de ex-companheiros, Lula descreveu sua participação nas greves. "Foi a grande lição que tive na vida. A lição de fazer acordo não cumprido, a lição de ser chamado de traidor, a lição de perder a confiança daqueles que depositaram em alguns momentos seus destinos nas nossas mãos", lembrou Lula sobre a greve de 1978 na Scania. E após quase cinco anos e meio ocupando a Presidência, ele ainda se surpreende em ser presidente. "De vez em quando, fico em casa deitado, olhando para o teto e me pergunto: 'Será que é verdade que sou presidente da República?" Lula estava acompanhado da ministra do Turismo, Marta Suplicy, possível candidata do PT à prefeitura de São Paulo, e do ministro da Previdência, Luiz Marinho, que deve concorrer à prefeitura de São Bernardo do Campo, também pelo PT.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaCPI dos Cartões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.