Lula quer CPMF até 2004

O pré-candidato do PT à Presidência da República, LuizInácio Lula da Silva, defende com ênfase a prorrogação até 2004 da vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), da qual foi um crítico empenhado durante anos, em especial na campanha eleitoral de 1998. "O Congresso não será irresponsável dedeixar o próximo presidente sem essa receita no primeiro ano de mandato", diz agora o petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto e mais uma vez alimenta os sonhos de seu partido de chegar ao Palácio do Planalto.Uma comissão da Câmara está avaliando a emenda constitucional proposta pelo governo justamente para prorrogar a CPMF até 2004, mas o relator do caso, o deputado Delfim Netto (PPB-SP), lançou a idéia de estender a cobrança da contribuição só até 2003. Armadilha montada para forçar a oposição a sair em defesa de uma medida que atacava há até pouco tempo, a manobra tem causado satisfação a parlamentares governistas e, com as declarações de Lula, demonstra ter produzido o efeito desejado.Durante jantar com jornalistas na terça-feira, no canto preferido por Ulysses Guimarães, no restaurante Piantella, em Brasília, o petista, sem nenhum constrangimento, intercedeu a favor da emenda enviada ao Congresso pelo Planalto. O raciocínio defendido por Lula é o de que aprorrogação da CPMF até 2004 dará ao sucessor do presidente Fernando Henrique Cardoso um ano de folga para tentar reestruturar o sistema tributário de acordo com novas prioridades de governo.Á vontade, fumando "umas 12 a 15 cigarrilhas por dia", evitando carne vermelha para não engordar, o pré-candidato do PT é bem direto também quando indica que, caso seja eleito, não pretende incluir entre seus objetivos principais a busca de superávit nas contas do governo,preceito da gestão de FHC e do ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Não tenho déficit zero nem na minha contabilidade doméstica", diz. "Eu faço dívidas, como os Estados Unidos, o Japão, a França e a Itália."Na opinião de Lula, o problema central da dívida pública não é uma questão de montante acumulado, mas de tempo de pagamento. O governo, argumenta, precisa criar as condições necessárias para alongar o prazo de vencimento dos títulos oficiais - o que, diga-se, tem sido uma daspreocupações das autoridades hoje no poder. O petista considera possível estimular a atividade econômica por meio da ampliação do endividamento, dentro de limites que não coloquem em risco a estabilidade econômica. Tais limites, no entanto, parecem difíceis deprecisar.

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