Lula quer convencer Sarkozy de benefícios de acordo UE-Mercosul

Durante cúpula Brasil-UE, presidente diz ter ficado 'feliz' com libertação de dissidentes por Cuba.

Fabrícia Peixoto, BBC

14 Julho 2010 | 17h24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que uma de suas "responsabilidades" nos próximos meses é "convencer" o presidente da França, Nicolas Sarkozy, sobre os benefícios de um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que vem sendo discutido há mais de dez anos.

"Como o companheiro que tem dado mais trabalho é um grande amigo meu, que é o presidente Sarkozy, eu tenho a responsabilidade de tentar convencê-lo a flexibilizar o coração dos franceses e a gente fazer um acordo antes de eu terminar a Presidência", disse Lula, durante a Cúpula Brasil-União Europeia, em Brasília.

As conversas sobre o acordo de livre comércio entre os dois blocos voltaram a esbarrar na resistência dos agricultores europeus, sobretudo os da França, que recebem subsídios e temem perder mercado para os produtos brasileiros.

Lula disse que vai aproveitar o fato de estar à frente da Presidência temporária do Mercosul, no próximo semestre, para "convencer" a União Europeia de que o produto brasileiro é "barato e de boa qualidade".

"Sempre haverá setores descontentes. Mas isso não é um jogo de corporações, é um jogo de nações, que precisa beneficiar a sociedade como um todo", disse Lula.

Vantagens mútuas

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que a União Europeia tem "todo interesse" nesse acordo, mas é preciso que os dois lados "vejam vantagens".

"Somos 27 países e temos que recolher o apoio em muitas frentes. Por isso, esperamos que o Mercosul avance com uma oferta que também corresponda às nossas ambições", disse Barroso.

Um dos principais objetivos dos europeus nas negociações tem sido a busca por maior liberalização do Mercosul no setor industrial - o que encontra resistências sobretudo na Argentina.

Segundo Durão Barroso, "não há dúvidas" sobre o potencial econômico do Mercosul, região onde o estoque de investimentos europeus é "maior do que o registrado em China, Índia e Rússia juntos".

Cuba

Também durante a cúpula, o presidente Lula disse que ficou "feliz" com a libertação de presos políticos em Cuba, mas, após ser questionado, preferiu não comentar o fato de o Brasil não ter participado diretamente das negociações com o governo cubano.

"Fiquei tão feliz quando os cubanos foram libertados como eu fiquei quando fui solto da cadeia, em maio de 1980", disse o presidente.

Um grupo de nove dissidentes cubanos e suas famílias chegou à Espanha entre terça e quarta-feira. Outras dezenas de presos aguardam libertação.

"Parabéns à Igreja Católica, ao governo da Espanha e a todos que atuam para liberar algum preso no mundo", acrescentou o presidente.

Lula lembrou que o Brasil ajudou a intermediar a libertação de uma cidadã francesa que estava presa no Irã, e que também pediu ao governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad que considerasse a libertação de três americanos.

"É importante lembrar que, nessas coisas, se a gente tentar fazer pirotecnia, a gente não liberta (prisioneiros) e a gente agrava a situação de cada uma das pessoas", disse o presidente brasileiro.

Durão Barroso disse que a União Europeia se "congratula" com o anúncio da libertação, mas que uma relação "construtiva" com Cuba depende do respeito "aos direitos humanos".

"Não tem sentido manter prisioneiros políticos. Temos sempre dito que isso é uma condição importante para nossas relações com Cuba", disse Barroso.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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