Lula quer coalizão unida em torno do PAC, diz Temer

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não é "obra acabada" e fez um apelo pela união dos partidos de coalizão e de sua base parlamentar em torno do programa.Com o recuo em relação ao PAC, Lula contrariou os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda). Logo depois da divulgação do PAC, na semana passada, ele disseram que não seriam feitas mudanças no projeto, porque as linhas mestras estavam prontas. Lula apenas orientou os integrantes da base aliada a manterem as propostas relativas a obras de infra-estrutura da forma como o governo federal as pensou, visto que são fatores de integração nacional. O presidente reuniu nesta terça-feira o Conselho Político da coalizão, formado por onze partidos, e abriu espaço para que as lideranças aliadas no Congresso aperfeiçoassem o PAC, sem alterar o eixo original do programa. Lula também recomendou ao Legislativo que convocasse os ministros para que eles esclareçam pontos do programa, principalmente Dilma e Tarso, além dos ministros que vão cuidar das diversas obras em seus setores. "Não seria imaginável que algo feito a partir de medidas provisórias e projetos de lei não fosse modificado pelo Legislativo", afirmou o presidente do PMDB, Michel Temer, indicado como porta-voz do encontro. De acordo com ele, Lula também confirmou a reunião com os governadores para discutir o PAC.Pontos polêmicosDe acordo com Temer, na reunião desta terça-feira, foram levantadas todas as resistências ao programa. Os participantes apontaram como principal dificuldade a disposição dos governadores, que querem incluir obras e reformular projetos em seus Estados.Outro ponto também debatido foi a proposta de utilização de recursos do FGTS em obras de infra-estrutura. Temer disse, ao sair do encontro, que ele próprio tinha dúvidas sobre a proposta. Coube ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, explicar aos participantes do encontro os detalhes da proposta e garantir "que não haverá prejuízo para ninguém". "O trabalhador vai receber mais", teria assegurado Berzoini, na reunião.Coube ao próprio Lula levantar a questão dos salários dos funcionários públicos que, de acordo com o PAC, serão corrigidos por um porcentual equivalente à variação do PIB, acrescido de 0,5%. O presidente ressaltou que a idéia ainda não é aplicada em nenhum país do mundo e que está sujeita a debates.Lula também informou que a cada 15 dias vai cobrar dos ministros informações sobre o andamento do PAC. "Lula será o presidente gestor do PAC", comentou Temer. O presidente ainda mencionou a proposta dos governadores para que os Estados também recebam recursos da CPMF.Disputa na CâmaraApós sair da reunião do Conselho Político, Temer lamentou que os governistas não tenham conseguido lançar um candidato único à presidência da Câmara dos Deputados. Os dois candidatos aliados ao governo são o atual presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).O presidente do PMDB afirmou que, agora, com a colocação das duas candidaturas, "é melhor não mexer mais". Ele previu ainda que, no fim de semana, os derrotados na eleição da próxima quinta-feira já terão curado as feridas e a base aliada terá retomado sua unidade.Da reunião com Lula participaram, além de Temer e do ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, lideranças do PCdoB, do PDT, do PP, do PR, do PRB, do PSB, do PSC e do PV.Este texto foi ampliado às 18h58

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