Lula promete levar 'cidadania' a áreas carentes com PAC

O presidente Luiz Inácio Lula daSilva, em visita a favelas no Rio de Janeiro, prometeu nestasexta-feira levar cidadania ao povo brasileiro que mora emsituação desfavorável por meio de investimentos do Programa deAceleração do Crescimento (PAC). "Não vamos dizer que vamos construir mansão, porque nãotemos dinheiro para isso, mas precisamos transformar onde vocêsmoram num lugar decente e digno que vocês possam se orgulhar demorar", afirmou o presidente em discurso durante visita àscomunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul do Rio deJaneiro. "Quando pensamos o PAC, resolvemos que era preciso levarcidadania plena ao povo que mora em condições desfavoráveis",disse. "Rico quando mora no morro é chique, pobre é favela, évergonha." Para os moradores, entretanto, os investimentos chegamatrasados. Há mais de uma semana sem água, com o único posto de saúdeda comunidade fechado e preocupados em educar seus filhos longedo tráfico de drogas, os moradores das favelas lamentaram que aviolência tenha se instalado no morro enquanto o poder públicoestava ausente. "As favelas foram tomadas pela violência porque ficaramlargadas pelo poder público. O poder público tem mesmo queassumir essa responsabilidade", disse à Reuters o presidente daAssociação de Moradores do Cantagalo, Luiz Nascimento. Nas duas comunidades, de onde é possível se ver as praiasde Copacabana e Ipanema, serão investidos 35,2 milhões de reaisdo PAC -- 26,4 milhões de reais da União e 8,8 milhões dogoverno estadual. São previstas obras de urbanização, melhoriado sistema de água, esgoto, construção de moradia, creches eáreas de lazer, além de um elevador ligando a rua ao alto domorro. Das medidas prometidas, a segurança é a que desperta maiorpreocupação entre os moradores. Ainda que a maioria sejarelutante em comentar o assunto, nas entrelinhas se percebe atristeza com os jovens que acabam entrando no crime organizado. "Acho que o mais importante dos investimentos é local delazer para os jovens. A comunidade inteira tem duas quadras sóque vivem lotadas, a criançada deixa de fazer atividade aquipor falta de espaço. Aí, acabam entrando num caminho errado",disse a aposentada Fátima, 68, há 53 anos moradora doCantagalo. Mãe de três filhos, ela não quis dar o sobrenome, mascontou que criou seus filhos na favela com dificuldades, pois aviolência já estava lá "desde antes de eu chegar". "Tem que ficar 24 horas em cima. Se você der bobeira, correo risco de ver seu filho metido em coisa errada. Tem que sercom rédea curta. Graças a Deus os meus três são rapazes debem", acrescentou ela, que disse ter dado ao presidente umacartinha de agradecimento. CAVEIRÃO Pouco antes da chegada de Lula à favela, um dos carrosblindados da polícia fluminense, conhecidos como "caveirão",deixou a comunidade. Policiais armados com fuzis protegiam osacessos, e outros à paisana ocuparam locais estratégicos domorro, segundo relato de policiais no local. As janelas das casas em frente à escola que foi sede dacerimônia estavam vazias, e poucas pessoas foram às ruas tentarver o presidente. A quadra onde Lula discursou, entretanto,ficou lotada, especialmente por crianças do único projetosocial existente no local. O próprio presidente reconheceu o atraso das ações públicasem áreas carentes. "Essa urbanização que nós queremos levar não é apenas umarua, tem que ter centro de lazer, segurança, escola, postomédico... para então as pessoas começarem a acreditar que oEstado está cumprindo com a sua finalidade", afirmou Lula. (Com reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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