Lula promete a movimentos sociais ´sair da mesmice´

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou nesta quarta-feira, 13, a 34 representantes de movimentos sociais que o segundo mandato será melhor que o primeiro. Em reunião no Palácio do Planalto, ele disse que saiu do processo eleitoral de "alma lavada", segundo participantes do encontro. "Não devo a ninguém este mandato", afirmou. "Neste mandato vou destravar o Brasil custe o que custar", completou. "Não iria me dispor a um segundo mandato para continuar na mesmice." Num longo discurso, Lula destacou a boa relação com os movimentos sociais. "Aqui dentro do palácio não estão os adversários de vocês, aqui estão os companheiros", teria dito o presidente. Ao comentar as conversas com os partidos para formar a coalizão de governo, Lula disse que não quer cometer os "mesmos erros dos quatro anos do primeiro governo". Ele não citou quais seriam esses erros. "Temos agora de fazer uma conversa ampla." Esquerda Os representantes também foram cobrar o compromisso de Lula com a esquerda do País. A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) apresentou a Lula documento em que recorda o apoio que deu à reeleição e se declara disposta a "lutar, na cidade e no campo pelas transformações sociais, políticas e econômicas". "O presidente Lula foi reeleito por uma base de esquerda e sabe que temos força real de mobilização. Vamos disputar espaços no governo com os setores ligados ao capital financeiro e com as forças conservadoras no Congresso", disse o coordenador do MST, João Paulo Rodrigues, a jornalistas, depois da reunião. "Independente de alguns segmentos da sociedade quererem puxar o governo para o centro, cabe aos movimentos sociais puxá-lo de volta para esquerda", afirmou João Felício, diretor de Relações Internacionais da CUT. Na reunião, que durou mais de duas horas, a CMS defendeu a presença de representantes da sociedade em instâncias de decisão, como o Conselho Monetário Nacional, conselhos de estatais, agências reguladoras e no Conselho de Política Monetária (Copom). Lideranças dos movimentos indígena, negro e homossexual aproveitaram o encontro para reclamar do governo e de declarações do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma representante de um grupo de lésbicas reclamou que não teve direito de fazer discurso durante o encontro no Palácio do Planalto. Já as lideranças indígenas aproveitaram ao máximo o direito de falar para exigir explicações sobre um discurso em que Lula culpou índios e quilombolas por dificultar a construção de obras de infra-estrutura."Na verdade, houve uma distorção da mídia. Precisamos destravar projetos de infra-estrutura em áreas indígenas e quilombolas", completou o presidente. O ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral, e os dirigentes disseram que Lula "reafirmou o compromisso" de buscar crescimento da economia com distribuição de renda e mais investimentos em políticas sociais. Dulci informou que novas reuniões serão feitas com os movimentos sociais para tratar de questões setoriais e para discussões políticas como a dessa quarta-feira. Com Reuters

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