Lula: programa de candidatos deve abordar saneamento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve, no início desta noite, na abertura da 40ª Assembleia Nacional, da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), em Uberaba (MG), e num discurso de 24 minutos falou apenas sobre o assunto. Ele fez algumas brincadeiras para exemplificar que as futuras gerações de prefeitos estão mais preocupadas com o saneamento básico, um problema sério e que implica em saúde, e que o tema deve constar dos programas de governo dos presidenciáveis. Foi a única referência que fez sobre política, além de afirmar que, na próxima semana, assinará um decreto que regulamenta a lei de saneamento básico, algo que está parado há cerca de dois anos e que ele desconhecia.

BRÁS HENRIQUE, Agência Estado

14 de junho de 2010 | 20h56

"Vocês vão debater durante cinco dias e não precisam se preocupar em colocar aquilo que acham que ainda não fizemos, porque tem candidato por aí, e ele têm que se comprometer (com o saneamento básico) já nos programas (de governo)", alertou Lula, no encerramento de seu discurso. Segundo ele, as pessoas que discutem o assunto pelos municípios devem apresentar propostas a serem incluídas até agosto no orçamento de 2011, senão os pedidos só poderão chegar em 2012. "Obrigado por nos cobrarem, por serem praticamente a lanterna num farol da nossa responsabilidade com o saneamento básico", disse o presidente.

Pouco antes, Lula citou que ficou frustrado quando soube, momentos antes, durante o discurso do presidente da Assemae, Arnaldo Luís Dutra, que um decreto para regulamentar o setor de saneamento básico está parado há cerca de dois anos em Brasília. "Fico sabendo apenas hoje que o decreto não foi regulamentado porque tem ministro que ainda não assinou", discursou o presidente, sem citar quem seria o ministro. Em Uberaba, Lula estava acompanhado de dois ministros: Márcio Fortes (Cidades) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência). "Quais os interesses por trás disso?", questionou o presidente, emendando: "O que não foi assinado em dois anos será regulamentado na próxima semana." Lula lembrou ainda que não existe justificativa para a demora de dois anos.

Para o presidente, investir em saneamento básico é uma prevenção à saúde e que talvez viajasse para a África do Sul sem ter resolvido o assunto, caso não fosse informado. "Saneamento básico deixou de ser coisa de rico e não é possível que uma cidade, que têm praias maravilhosas, não tenha estação de tratamento para um quilo de esgoto", mencionou ele.

Lula acrescentou que sua gestão, em oito anos, também estreitou relações com os prefeitos de cidades pequenas, que antes não encontravam uma maneira de pedir recursos em Brasília. "Ainda é pouco para recuperar o tempo perdido." E emendou que poderá dormir tranquilo, pois os prefeitos de quaisquer partidos não deixaram de ser atendidos em seu governo por divergências políticas.

Lula referiu-se a uma "geração mais responsável", a dos futuros políticos, que podem discutir assuntos importantes para suas comunidades e não jogarem "lixo embaixo do tapete". Ele citou isso após lembrar que entrou em favelas e que políticos anteriores foram irresponsáveis ao deixar ocupações em lugares inadequados, como o desastre ocorrido em Niterói (RJ), após uma chuva, neste ano. "Ninguém assumiu", disse ele. "Não é banal colocar saneamento básico como prioridade."

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