Lula procura PSB para discutir SP

Após conversa, presidente e Eduardo Campos se reunirão com deputado cearense e dirigentes das duas siglas

Clarissa Oliveira e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

06 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos (PE), decidiram assumir a linha de frente na negociação sobre um eventual apoio do PT ao deputado Ciro Gomes (PSB-CE), na disputa pelo governo de São Paulo no ano que vem. Após almoçarem juntos ontem, em Brasília, os dois decidiram se reunir na semana que vem com Ciro, além de dirigentes do PT e do PSB, em jantar no Palácio da Alvorada. A conversa de ontem ocorreu a pedido de Lula e estava agendada inicialmente para a próxima semana. Antes de encontrar o governador, Lula manifestou a aliados que queria avaliar se o PSB fala sério quando cogita lançar Ciro em São Paulo. Apesar de a tese do apoio ao deputado desagradar a vários setores do PT paulista, o Planalto enxerga a possibilidade de tirá-lo da disputa presidencial e fortalecer a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na saída do almoço, Campos disse que a conversa pretendia apenas evitar que as discussões sobre a sucessão paulista corressem soltas na imprensa. "Era chegada a hora de sentar os dois partidos, ver qual a análise da situação do quadro nacional, como interpretamos as especulações que estão aí e como o PT está vendo tudo isso." Apesar de se mostrarem cada vez menos esperançosos, setores do PT em São Paulo ainda resistem a Ciro. Discretamente, alguns membros da legenda correram nos últimos dias para fazer um apelo a potenciais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. Um dos alvos foi o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que já ocupou o posto de favorito de Lula para a vaga. Nos telefonemas que recebeu recentemente, o ex-ministro ouviu novos pedidos para liberar as articulações em torno de seu nome, antes de o Supremo Tribunal Federal se pronunciar sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa.Até a ex-prefeita Marta Suplicy voltou a ser cobrada por seu grupo, um dos mais ferrenhos defensores da candidatura própria. Aliados dizem vê-la mais disposta a entrar na disputa. E chegaram a orientá-la a parar de apoiar publicamente Palocci. Único pré-candidato assumido, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, voltou a dizer que não vai enfrentar Lula. Mas avisou que defenderá a candidatura própria, se for chamado para a conversa com o presidente. "Vamos colocar nossa posição."

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