Lula pretende montar ministérios só depois do Natal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a auxiliares que somente depois do Natal fará "esforço concentrado" para montar o ministério do segundo mandato. "Não vou estragar o Natal de ninguém", garantiu ele a amigos apreensivos. Lula deu sinais de que pretende tomar posse com nova equipe, em 1.º de janeiro, embora publicamente afirme que pode empurrar as trocas para fevereiro, após a eleição para o comando da Câmara e do Senado. O vaivém do presidente provoca ansiedade na base aliada. "Tenho a impressão de que ele joga os sinais para ver como eles voltam", disse um ministro ao jornal O Estado de S. Paulo. Nas fileiras do PMDB, parlamentares acreditam que Lula fará a reforma ministerial em doses homeopáticas, deixando as nomeações políticas para 2007. A anunciada saída do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, é um dos fatores que podem acelerar os planos de Lula. Motivo: o ministro já disse que no dia 2 de janeiro pretende estar em São Paulo, "cuidando dos netos". Diante da recusa de Thomaz Bastos em ficar no segundo mandato, o presidente deve escolher seu sucessor nos próximos dias. Os mais cotados para a vaga são o atual ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence. O efeito dominó de um possível remanejamento de Tarso deve provocar outras mudanças no time. Até agora, o governador do Acre, Jorge Viana (PT) - no fim do seu segundo mandato - é o mais citado para cuidar da articulação política do governo. Enquanto Viana deve entrar na equipe, Paulo Vannuchi, secretário de Direitos Humanos, pode sair. Dois petistas são cotados para substituí-lo: o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), que não foi reeleito, e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente. Carvalho cuida da agenda de Lula, mas gostaria de mudar de função. Se depender do presidente, porém, Carvalho fica onde está. Lula confirmou na quarta-feira, em reunião com representantes dos movimentos sociais, a permanência do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci. No encontro, orientou todos a procurarem Dulci "no ano que vem" para encaminhar as reivindicações.

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