Lula prepara palanque para Dilma no ES com Paulo Hartung

O presidente aproveitou a passagem por Vitória para cortejar o governador do Espírito Santo

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

09 de março de 2009 | 19h59

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a passagem por Vitória na semana passada para cortejar o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), e preparar o palanque capixaba da eventual candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na mesa do jantar que Hartung ofereceu ao presidente na noite de quinta-feira, a aliança regional entre o PMDB e o PT do prefeito da capital, João Coser, foi um tema em que Lula insistiu. Incentivando Hartung a concorrer ao Senado em 2010, ele disse que quer vê-lo ao lado do PT e dos partidos da base em torno de um candidato a governador. O plano afastaria Hartung do PSDB, com quem governa desde 2003, e garantiria um dos governadores com maior aprovação do País no palanque petista. Lula quer romper com a já conhecida neutralidade de Hartung, que não deu palanque a ele em 2002 e 2006. Amigo do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), de quem já foi correligionário, Hartung vinha se equilibrando entre petistas e tucanos para manter sua coalizão regional que acomoda os dois partidos. No entanto, começou a se aproximar do PT ao apoiar a reeleição de Coser em 2008. Cauteloso para não inviabilizar a base de seu governo, Hartung não dá respostas sobre 2010. "Quem terá que falar sobre a disputa presidencial será o candidato a governador, não eu", desconversou, em entrevista ao Estado, argumentando que a eleição de 2010 ainda está distante. Ele renova a amizade com Serra, mas diz ter se aproximado de Dilma na convivência institucional "Fiquei amigo dela também. São dois nomes muito competentes para o Brasil." Hartung aproveita o assédio para tirar benefícios. Recebeu Lula na residência da Praia da Costa com uma pauta pragmática. Renovou o pedido para acelerar a negociação da venda do banco estadual, Banestes, para o Banco do Brasil, da qual pretende sair com mais de R$ 1 bilhão. Também quer a garantia dos investimentos da Petrobras no estado, estimados em US$ 17 bilhões nos próximos cinco anos, e a fábrica de fertilizantes nos planos da estatal.  Poucos dias antes de Lula chegar a Vitória, o diretório capixaba do PT havia deliberado pela "construção da candidatura própria" ao governo estadual, que tem o prefeito de Vitória como nome natural. "Estamos conversando abertamente e o presidente Lula disse a todos que está empenhado nessa chapa para 2010, envolvendo nomes para governador, vice, senador, mas não diz quem deve ocupar que posição", afirmou Coser, que também participou do jantar. Ele admite que quer disputar o governo, mas concorda em negociar a vaga com aliados, como o PSB do senador Renato Casagrande, outro postulante. Também convidado do jantar, o vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, deixou o PSDB para se manter como opção de Hartung para sua sucessão.  Enquanto vê Hartung se aproximar do PT, o PSDB capixaba resiste no governo dele e trabalha para que o governador mantenha sua neutralidade. Para o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), pré-candidato ao governo estadual, se Hartung ficar neutro já será suficiente para apresentar Serra ou Aécio Neves no Espírito Santo. "Resta saber se o PT vai concordar", afirmou.

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