Lula põe a culpa do valor do mínimo na Previdência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em rápidaentrevista ao deixar a sede da ONU, que era "humanamente impossível" dar um aumento maior para o salário mínimo por causado déficit da Previdência Social, que atualmente está em R$ 30 bilhões por ano. "Gostaríamos de dar um salário mais alto, mastodos sabem que, no Brasil, não discutimos o mínimo; discutimos a Previdência Social". Ele ressaltou que as prefeituras e aPrevidência não suportariam um valor mais alto que R$ 260,00 e reclamou que, "mesmo sabendo disso, os parlamentaresvotaram um mínimo maior, sabendo que o governo, por ser responsável, proporia à Câmara que retornasse ao valor de R$260,00", numa referência aos R$ 275,00 aprovados pelo Senado e derrubados ontem na Câmara. "Não é possível que o mínimoseja utilizado só para fazer discurso em época de campanha eleitoral", reclamou. "A Câmara cumpriu seu papel e votou omínimo que era possível", disse, referindo-se à versão final da medida provisória aprovada ontem pela Câmara, que acaboufixando o valor do mínimo em R$ 260,00. "Fizemos o que tinha que ser feito. Não existe, no Brasil, um ser vivo que gostaria maisdo que eu que o salário mínimo fosse maior", justificou-se.Perguntado se o governo sofreu desgaste com a polêmica domínimo, ao longo dos três meses em que a matéria esteve em pauta no Congresso, Lula disse que, nessa questão, não se tratade ganhar ou perder. Segundo ele, o Congresso tem um ritmo próprio de discussão, e não dá para dizer se o governo ganhou ouperdeu com essa demora. O presidente lembrou que o governo já constituiu uma comissão incumbida de estudar a possibilidadede dar aumento real ao mínimo, sem impacto na Previdência.

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