Lula pode usar CPMF para conseguir 3º mandato, diz Jefferson

Presidente do PTB afirma que os R$ 40 bilhões poderiam ser utilizados pelo governo para conseguir reeleição

João Domingos, do Estadão

28 de novembro de 2007 | 11h58

O presidente nacional do PTB, deputado cassado Roberto Jefferson, disse nesta quarta-feira, 28,  que, na reunião que a Executiva Nacional do seu partido realiza em um hotel de Brasília, quer discutir com os senadores petebistas a questão da emenda de prorrogação da vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) como uma questão relacionada à discussão sobre suposto projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de alterar a legislação eleitoral para poder concorrer a um terceiro mandato.    Os dirigentes do partido aprovaram decisão de fechar questão contra eventual proposta de alteração na lei eleitoral para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa concorrer a um terceiro mandato.   Jefferson afirmou que os recursos da arrecadação da CPMF - estimados em R$ 40 bilhões para 2008 - poderiam ser utilizados pelo governo para conseguir o terceiro mandato. Ele mencionou como exemplos os projetos de reeleição presidencial ilimitada na Venezuela, onde, segundo o ex-deputado, "pode haver derramamento de sangue", e na Bolívia, que, no seu entender, "está à beira de uma secessão."   "Não pense que isso não pode acontecer no Brasil. O ovo da serpente começa é assim", afirmou. Sobre a CPMF, disse: "É muito dinheiro nas mãos do governo. É quase uma monarquia todo esse dinheiro na mão de Lula. Dá um sentimento meio bolivariano, chavista, de terceiro mandato."   O ex-deputado disse que, pessoalmente, nada tem contra Lula, mas que "é preciso respeitar a democracia, para que não ocorra (no Brasil) o que ocorre na Venezuela." Declarando-se contrário à CPMF, disse que ficou sabendo que o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, seu colega de partido, vai procurar os senadores do PTB para tentar convencê-los a voltarem para o Bloco do Governo, e antecipou que não vai polemizar com Múcio.   "Com Walfrido", disse, referindo-se ao antecessor de Múcio na articulação política do governo, "era fácil, porque era arrogante, pedante e nunca conseguiu juntar gente em torno de si. Com Múcio, tenho de pensar dez vezes: ele é sedutor, inteligente, habilidoso e tem o afeto da bancada. Vou caminhar com cuidado, pensando em não criar conflito."       O partido aprovou também diretriz contrária à prorrogação da vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas autorizou seus senadores - que já se desligaram do Bloco da maioria governista - a votarem como quiserem quando a emenda constitucional sobre o assunto for apreciada no plenário do Senado.     Texto atualizado às 14h45  

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