Lula pode renomear Rondeau para o ministério esta semana

O ex-ministro deixou cargo após ser acusado de receber propina de construtora pivô da Operação Navalha

Leonencio Nossa, do Estadão

30 de julho de 2007 | 16h38

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definirá nesta semana o nome do novo ministro de Minas e Energia. A tendência do presidente, segundo um auxiliar direto, é a da recondução de Silas Rondeau, que deixou o cargo em maio, por suposta participação na chamada máfia das obras públicas, desmontada pela Polícia Federal.   Desde a saída de Rondeau do governo, o ministério é chefiado interinamente pelo secretário-executivo, Nelson Hubner.   A acusação contra Rondeau faz parte de investigação da Operação Navalha, da Polícia Federal. A operação descobriu um esquema de desvios e licitações de obras do governo. O ex-ministro teria recebido R$ 100 mil em propina da empreiteira Gautama, o que ele nega.   O empresário Zuleido Veras, dono da construtora, é suspeito de chefiar a 'máfia das obras'. Entre os acusados de envolvimento com o esquema está  o governador do Maranhão, Jackson Lago, seus sobrinhos.   No dia 10 de julho,  o presidente negou a recondução de Silas e  ironizou: "Engraçado, fiquei imaginando quem era o poderoso que estava indicando os ministros por mim".Apesar disso, Lula disse que Rondeau havia sido ''injustiçado". Depois do escândalo envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os peemedebistas começaram a pressionar o presidente da República pela volta de Silas Rondeau ao ministério. Neste embate, a Polícia Federal já garantiu que não pretende interromper as investigações e continua sustentando a linha deflagrada no início da Operação Navalha, que aponta o envolvimento de Rondeau na máfia das licitações.   Rondeau tem a seu favor um laudo feito pelo perito Ricardo Molina, professor da Universidade de Campinas (Unicamp) , que contesta a versão da PF. Segundo Molina, o envelope que o ex-assessor aparece carregando em imagens de circuito interno do ministério não poderia conter os R$ 100 mil, uma vez que o volume de tal quantia seria visível. Ainda de acordo com o documento produzido pelo perito, o ex-assessor carrega uma folha de papel, e não um envelope com tantas cédulas.

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