Lula pode quebrar tradição na escolha de procurador-geral

Procuradores avaliam ser possível que presidente indique quem tem ?padrinho? forte

Felipe Recondo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode quebrar uma tradição mantida desde seu primeiro mandato. Integrantes do governo e candidatos à vaga de procurador-geral da República afirmam que Lula poderá não escolher o candidato mais votado pelos procuradores na eleição interna promovida pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), marcada para amanhã.Três dos cinco candidatos possuem fortes cabos eleitorais e são os favoritos nessa disputa: Wagner Gonçalves, Roberto Gurgel e Ela Wiecko conseguiram apoios importantes durante a campanha, padrinhos que devem fazer a diferença na hora da escolha pelo presidente. Gurgel é apoiado pelo atual procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza; Gonçalves tem o endosso do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos; Ela Wiecko conta com o amparo do ministro da Justiça, Tarso Genro.O grau de apadrinhamento dos procuradores pode definir a escolha. O escolhido por Lula deve assumir o cargo no início de julho.De acordo com a Constituição, Lula pode nomear quem quiser dentre integrantes da carreira do Ministério Público com mais de 35 anos para ocupar o cargo de procurador-geral. Desde o início do primeiro mandato, porém, por três vezes seguidas escolheu o mais votado da lista tríplice resultante da eleição promovida pela ANPR. Em 2003 Cláudio Fonteles encabeçou a lista da entidade e foi escolhido pelo presidente. Em 2005 e 2007, Souza foi o mais votado e por duas vezes escolhido procurador-geral. Agora, de acordo com integrantes do governo e os próprios candidatos, Lula poderá escolher qualquer um dos que integrarem a lista tríplice.Ela Wiecko, que já integrou três vezes a lista tríplice desde 2001, teria uma vantagem. Se a escolhesse, Lula poderia dizer que foi o primeiro presidente a indicar uma mulher para comandar o Ministério Público. Gurgel, vice-procurador-geral da República, contaria com o trunfo de já transitar bem entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), já que substitui o atual procurador em vários julgamentos. Gonçalves é tido como candidato de esquerda e, ao contrário do atual procurador, reagiria com mais firmeza às críticas feitas ao Ministério Público, especialmente pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. DEBATEOntem, os três debateram suas propostas com outros dois candidatos que correm por fora na disputa: Blal Dalloul, procurador da República em Mato Grosso do Sul, e Eitel Santiago, subprocurador da República. Completa a lista Mario Ferreira Leite, que não participou do debate, esteve afastado do trabalho por problemas de saúde e inicialmente teve a candidatura impugnada.Todos, com exceção de Gurgel, demonstraram certa insatisfação com o posicionamento do atual procurador-geral, que silenciou ou demorou para reagir às críticas feitas ao Ministério Público, principalmente após a Operação Satiagraha, da Polícia Federal."Hoje parece-me necessário que o procurador-geral lidere de maneira mais visível a procuradoria. Isso significa assumir determinadas tarefas que estão sendo legadas às associações de classe", afirmou Ela Wiecko. "O procurador-geral tem responsabilidade muito maior e por isso precisa estar atento para defender as questões institucionais e marcar posição de forma firme e serena", concordou Gonçalves. Gurgel, que tem perfil semelhante ao de Souza, disse que o procurador precisa se manifestar diante das críticas feitas ao Ministério Público, mas rechaçou atitudes radicais. "Algumas vezes parece que se quer ouvir os gritos do Ministério Público. Jamais ouvirão meus gritos. Ouvirão uma voz firme e serena. Gritos são incompatíveis com o cargo de procurador-geral da República." FRASESEla WieckoProcuradora"Hoje parece-me necessário que o procurador-geral lidere de maneira mais visível a procuradoria. Isso significa assumir determinadas tarefas que estão sendo legadas às associações de classe" Wagner GonçalvesProcurador"O procurador-geral tem responsabilidade muito maior e precisa estar atento para defender as questões institucionais e marcar posição"

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