Lula pode mudar política do BC sem tirar Meirelles, diz Déda

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), disse nesta sexta-feira, 16, que o governo pode "mudar a política" do Banco Central sem mudar o presidente do BC, Henrique Meirelles. Déda defendeu "mudar o ritmo" da queda da taxa de juros. "É muito complicado dizer ao presidente para mudar o ministro A ou B, mas ele pode mudar essa política sem ter de mudar o presidente do Banco Central", disse o governador petista. A declaração reforça setores do governo que querem substituir o diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilaqua, por um nome mais afinado com a linha de crescimento prometida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Nem eu nem a torcida do Flamengo nem a torcida da Mangueira estamos satisfeitos; todos entendemos que deve mudar o ritmo da queda de juros", disse Déda a jornalistas no Palácio do Planalto. O PAC tem como objetivo destravar a economia e garantir a meta de crescimento de 5% e prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010 em infra-estrutura: estradas, portos, aeroportos, energia, habitação e saneamento. O governador petista teve uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e comentou a política monetária, provocado pelos repórteres, ressalvando que não havia tratado desse tema com Lula. Meirelles fica Na linha do que decidiu o Diretório Nacional do PT no último sábado, 10, o governador criticou a decisão do Copom sobre a taxa básica de juros de janeiro, quando a Selic foi reduzida em 0,25 ponto porcentual. "A gente vinha num embalo forte com o anúncio do PAC e a decisão do Copom deu a impressão de uma bateria desafinada", comentou Marcelo Déda. O jornal Valor Econômico informou nesta sexta que o presidente Lula pretende confirmar a permanência de Meirelles quando anunciar o novo ministério, em março. A informação é atribuída a um ministro de Lula. Também no tom do Diretório Nacional, de criticar a decisão do Copom sem pedir a demissão de Meirelles, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, diz que "o balanço geral do BC é positivo". A demissão de Meirelles foi defendida em público apenas pelo ex-ministro José Dirceu, logo após a reunião do Copom em 24 de janeiro. Em sua página na internet, Dirceu disse na última quinta-feira, 15, que Bevilaqua é "o porta-voz do conservadorismo no BC".

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