Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Lula pode disputar cargo da cúpula da ONU

Brasil formalizou candidatura que pode ser preenchida ou pelo presidente, ou pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 17h44

WASHINGTON - O Brasil formalizou sua disputa pela direção-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) com o inédito cuidado de não antecipar o nome do seu candidato. A cautela se deve ao fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ter ainda decidido se concorrerá ao posto ou se deixará a disputa para seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. De acordo com autoridades brasileiras, o candidato original de Lula, José Graziano, teria chances remotas de ser o indicado pelo governo para esse organismo sediado em Roma.

 

A definição sobre a candidatura brasileira para a FAO terá de esperar a sucessão de Amorim, cujo pedido de permanecer mais um ano à frente do Itamaraty foi negado pelo próprio Lula. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci é o mais cotado neste momento para assumir o Itamaraty dentre os que estão na lista da presidente eleita, Dilma Rousseff. Recentemente, foi adicionado o nome do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, um dos colaboradores de Lula que devem permanecer no governo Dilma.

 

O nome de maior agrado pessoal de Dilma, entretanto, é o do diplomata Antônio Patriota, secretário-geral das Relações Exteriores e ex-embaixador do Brasil em Washington. Patriota tornou-se amigo de Dilma ao longo do governo Lula e é visto pela equipe da presidente-eleita como uma opção menos traumática para a liderança do Itamaraty, por tratar-se de um membro da corporação.

 

Dentre essas três opções, a escolha de Patriota sugere a continuidade da política externa de Lula-Amorim. Porém, com um grau mais acentuado de pragmatismo, principalmente quanto à relação Brasil-EUA. A aposta em Palocci envolveria mudanças mais profundas, em especial na orientação da política comercial, como já foi sinalizado no seu período na Fazenda. A posição de Meirelles sobre temas de política internacional é uma incógnita. Mas, o presidente do BC tem demonstrado capacidade de negociação em foros internacionais.

 

Uma vez escolhido o chanceler de Dilma, Lula deverá decidir seu destino e, portanto, a candidatura brasileira para a FAO. Há mais de um ano, o presidente vinha publicamente reafirmando seu interesse em montar uma entidade, no Brasil, para trabalhar a cooperação com a África e a América do Sul em políticas de combate à fome e à pobreza.

 

Mas, nas últimas semanas, acentuaram-se os rumores de que o presidente estaria interessado em assumir a organização, em Roma. A escolha está programada para o final de 2011, de forma a permitir a sucessão do atual diretor-geral, o médico senegalês Jacques Diouf, em janeiro de 2012. Diouf está em seu terceiro mandato na FAO.

 

As candidaturas já começaram a ser apresentadas - inclusive, a brasileira, sem o nome. Lula dificilmente seria derrotado nessa disputa em função da exposição internacional em seus oito anos de mandato e dos resultados do programa Bolsa Família. Nos cálculos do governo, a mesma lógica caberia ao ministro Celso Amorim, que não tenderá a sofrer oposições severas.

 

Embora a direção-geral da FAO seja o menos vibrante dentre os postos das Nações Unidas, a presença de Lula tenderia a chamar a atenção para a organização, segundo fontes do governo. Para o presidente, essa posição poderá ainda funcionar como uma espécie de trampolim para cargos mais ousados no plano internacional. A decisão final, entretanto, não caberá nem a Dilma nem a Amorim. Mas, ao próprio Lula.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.