Lula pede que ministros evitem 'jogo rasteiro da oposição'

Presidente usa reunião ministerial para preparar equipe para corrida eleitoral; aposta é crescimento econômico

estadao.com.br,

21 de janeiro de 2010 | 15h43

Lula, Dilma e Jobim durante reunião ministerial na Granja do Torto, em Brasília 

 

BRASÍLIA - Na reunião ministerial que lançou oficialmente seu último ano no governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou seus ministros a não entrarem no "jogo rasteiro da oposição". Em encontrou com sua equipe na Granja do Torto nesta quinta-feira, 21, Lula disse que o processo sucessório será uma disputa plebiscitária entre os projetos do governo e da oposição.

 

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"O presidente orientou para os ministros que ficam e que saem, que não entrem em qualquer jogo rasteiro na campanha", relatou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Segundo ele, Lula insistiu na tese da campanha plebiscitária. "Ele (Lula) disse 'eu quero fazer uma campanha de quem eu sou e quem és tu'", resumiu.

 

Em entrevista na portaria da Granja do Torto, onde foi realizada a reunião que dá início ao último ano do governo Lula, Padilha admitiu que as declarações do presidente estão dentro do contexto de ataques de representantes do PSDB. "O nosso jogo é da paz. A Dilma é da paz e a guerra está lá do outro lado, no PSDB", disse Padilha, num trocadilho com o nome do presidente do PSDB, Sérgio Guerra. "Ele (Lula) quer que os ministros mantenham o nível e não entrem em guerra", resumiu.

 

Padilha disse também que o presidente pediu tanto à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quanto aos demais representantes da equipe, que vão disputar as eleições, que trabalhem intensamente até o último dia de março.

 

Aceleração do crescimento

 

Ainda de acordo com o ministro das Relações Institucionais, o governo irá focar em ações que garantam o crescimento da economia em 2010. Lula afirmou que irá "se dedicar pessoalmente, como fez no ano passado, para que a gente mantenha o ritmo acelerado da economia em 2010", e comparou o legado que deixará ao que recebeu de Fernando Henrique Cardoso em 2003.

 

Uma das apostas do governo para garantir o otimismo econômico em 2010 será a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), que o governo pretende anunciar em março, e que será coordenado pelos ministérios da Casa Civil, Planejamento e da Fazenda, o chamado grupo GPAC. O mesmo grupo já coordena o PAC atual, mas o PAC2 não contará com a supervisão direta da ministra Dilma Rousseff. A ministra deve deixar o governo no fim de março para se dedicar à campanha eleitoral.

 

Padilha disse que o objetivo do PAC 2 é garantir a continuidade dos investimentos. "O presidente quer que o seu sucessor assuma o governo com projetos já garantidos. Ele não quer que o seu sucessor assuma como ele assumiu em 2003. E não quer que se repita o que ocorreu em 2007, quando a gente precisou identificar projetos", disse.

 

Segundo Padilha, nenhum medida econômica específica foi discutida na reunião, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fizeram apresentações gerais sobre o desempenho da economia brasileira em 2009 e as expectativas para 2010.

 

"Foi feita uma apresentação geral pelos ministros Guido e Meirelles. Com cenários otimistas, com expectativa de crescimento, geração de empregos, manutenção da capacidade de financiamento do Estado, oferta de crédito e expectativa de consumo e produção", disse Padilha.

 

Portal Brasil

 

Embora não seja a coordenadora do programa, foi a ministra Dilma quem cuidou da exposição sobre as obras que constarão no PAC 2. Além de Dilma, Mantega e Meirelles, a reunião ministerial contou com falas dos ministros da Defesa, Nelson Jobim, sobre a situação do Haiti, e da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, sobre a criação do Portal Brasil.

 

O portal, que deverá ser lançado em março, será mais um instrumento de comunicação do governo na internet. Segundo Padilha, o site, que está sendo elaborado pela Secretaria de Comunicação Social, vai unificar as informações de todos os órgãos federais e também prestar serviços públicos on line, como o Imposto de Renda, solicitações de documentos e outros. A data exata para o lançamento ainda não está definida.

 

Com informações de Leonencio Nossa, Gerusa Marques e Leonardo Goy

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