Lula pede que ministros "desarmem espíritos" no Congresso

Na primeira reunião da coordenação política do governo depois do segundo turno das eleições municipais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a seus articuladores uma atuação rápida para "desarmar os espíritos" de aliados e adversários no Congresso. Na conversa, de cerca de três horas, Lula e seus ministros políticos avaliaram que há duas "bombas" a serem desarmadas: as mágoas decorrentes da campanha eleitoral e a rebelião do PMDB em torno do projeto que permite a reeleição dos presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP).Aos ministros petistas - José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e Jacques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) -, Lula mostrou-se preocupado com o mau desempenho eleitoral do PT na classe média. Ainda sob o forte impacto das derrotas em São Paulo e Porto Alegre, o presidente e seus ministros não conseguiram chegar a uma conclusão sobre as razões que levaram o eleitorado a tirar o PT do governo nestas duas capitais. Concluíram apenas que o desempenho do PT foi bem melhor junto à população mais pobre, das periferias dos grandes centros. "Mas temos que ver o que está havendo com a classe média", recomendou Lula.Na reunião, eles analisaram um extenso relatório sobre o desempenho eleitoral do PT e concluíram que, embora o partido não tenha tido o sucesso esperado, a linha de crescimento vem sendo constante nas seis eleições municipais mais recentes. O PT começou ganhando duas prefeituras, passou para 36, depois para 54, em seguida para 115, depois 187 e, agora, saltou para 411. Nas 96 cidades com mais de 150.000 eleitores, o PT não conseguiu manter seu desempenho. Em 2000, elegeu 25 prefeitos, chegou a 29 com adesões, e agora elegeu 23. O presidente encarregou seu o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, de procurar os presidentes da Câmara e do Senado e também os líderes governistas para marcar reuniões separadas nas duas Casas e discutir a retomada das votações do Congresso. Antes mesmo da disputa municipal, a polêmica da reeleição já havia incendiado o PMDB, paralisando os trabalhos no Congresso. Agora, o governo terá de administrar as feridas eleitorais e o excesso de medidas provisórias (MPs), que lhe dificulta ainda mais a relação com o Legislativo. Só na Câmara, 20 MPs já estão trancando a pauta de votações. Logo depois da conversa com o presidente, procurou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), para tentar tirar o PMDB da obstrução. O que o Planalto quer é que seus articuladores negociem a votação de uma agenda mínima de projetos de interesse do governo até o fim deste ano. O problema é que, em meio a esta pauta mínima, estaria também a proposta de emenda constitucional (PEC) da reeleição.

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